Nalda Matine, uma jovem de 23 anos, sonhava em ser médica, mas sua vida tomou um rumo inesperado aos 13 anos, quando enfrentou uma gravidez precoce. Agora mãe de dois filhos, ela viveu experiências dolorosas, incluindo uma fístula obstétrica, que mudaram completamente sua trajetória de vida.

Um início difícil
Órfã desde os três meses, Nalda foi criada pela irmã mais velha em Maputo. Após completar a 7.ª classe, mudou-se para um internato em Inhambane, mas teve que voltar para casa devido a problemas de saúde. Foi nesse retorno que descobriu a gravidez, cerca de cinco meses após o início.

A luta contra a fístula obstétrica
Após o parto, Nalda começou a sofrer com sintomas de fístula, uma condição causada por complicações no parto. A falta de apoio psicológico e a pressão familiar agravaram sua situação. Apesar dos desafios, ela trabalhou arduamente para sustentar os filhos, enfrentando cirurgias e um período de colostomia que durou três anos.
Superando adversidades
Aos 22 anos, Nalda finalmente conseguiu superar as consequências da fístula e se comprometeu a lutar pelos direitos de outras meninas. Ela acredita que a educação e o diálogo em casa são fundamentais para prevenir casos como o seu.
O problema da fístula no mundo
Segundo dados da UNFPA, cerca de 500 mil mulheres sofrem com a fístula obstétrica globalmente, sendo que as adolescentes estão entre as mais afetadas. O médico gineco-obstetra Elias Minasse alerta que a falta de acesso a cuidados médicos adequados durante o parto contribui para essa condição, que é totalmente evitável.
A história de Nalda é um alerta sobre os perigos da gravidez precoce e a necessidade de proteção das crianças. É um testemunho de resistência e esperança para muitas que enfrentam situações semelhantes.





