AMS Defende Soluções de Seguros Adaptadas ao Contexto Moçambicano
A AMS propõe seguros ajustados às especificidades de Moçambique para fortalecer a economia e mitigar riscos.

A Associação Moçambicana de Seguradores (AMS) tem vindo a defender a criação de soluções de seguros que se ajustem às especificidades do contexto moçambicano. Manuel Gamito, presidente do Conselho de Administração da AMS, apresentou esta posição durante o painel intitulado "Feito na África: Soluções Africanas para Estruturar a Economia Real", parte do evento Banking, Financial Services and Insurance Mozambique (BFSI) 2026, realizado via videoconferência nos dias 22 e 23 de Julho.
Durante a sua intervenção, Gamito sublinhou que o principal desafio que Moçambique e a África enfrentam não é apenas a escassez de capital, mas sim a necessidade de mitigar os riscos associados às atividades económicas. A insegurança, tanto em termos de questões climáticas quanto de instabilidade social, afeta a confiança de investidores e instituições financeiras, dificultando a obtenção de financiamento para atividades expostas a altos níveis de risco. Segundo o presidente, para que o investimento cresça, é essencial que os produtos de seguros atendam às necessidades específicas de produtores, empreendedores e outros actores económicos, considerando os riscos únicos de cada país.
Entre as soluções com maior potencial, Gamito destacou a importância dos seguros agrícolas, seguros paramétricos contra desastres naturais e microseguros. Os seguros agrícolas são particularmente relevantes em Moçambique, onde a agricultura é um dos pilares da economia, empregando uma grande parte da população e sendo vulnerável a variáveis climáticas. Os seguros paramétricos, que pagam automaticamente com base em indicadores específicos, como a quantidade de chuva, podem proporcionar uma rede de segurança para os agricultores em momentos de crise. Já os microseguros têm o potencial de aumentar a inclusão financeira, oferecendo produtos acessíveis para os mais pobres e protegendo os pequenos produtores, estimulando assim o investimento.
Gamito também enfatizou o papel da digitalização na expansão do sector de seguros, uma vez que a tecnologia pode permitir uma maior cobertura e facilitar o acesso a produtos de proteção financeira para indivíduos e empresas que, historicamente, têm sido excluídos. A digitalização pode transformar a forma como os seguros são comercializados e geridos, tornando-os mais acessíveis e adaptáveis às necessidades dos clientes.
Uma das recomendações centrais do presidente da AMS foi o fortalecimento da capacidade de retenção de riscos em África, com o intuito de aumentar a resiliência do sector de seguros e reduzir a dependência de soluções externas. Para Gamito, é crucial promover uma integração mais robusta entre os seguros, a banca e os mecanismos de financiamento produtivo, criando um ecossistema favorável ao investimento e ao crescimento dos negócios.
Ele concluiu afirmando que "nenhuma economia pode crescer de forma sustentável sem mecanismos eficazes de gestão de riscos, tornando o seguro uma infraestrutura estratégica para construir confiança, mobilizar investimentos e promover o desenvolvimento económico." Esta afirmação reflete um entendimento mais amplo da função dos seguros na economia, onde o seu papel vai além da mera indemnização, sendo uma ferramenta essencial para a estabilidade e crescimento económico.
Contexto
Moçambique, como muitos outros países africanos, enfrenta desafios significativos em termos de desenvolvimento económico e social. Com uma economia fortemente dependente da agricultura e de recursos naturais, o país é vulnerável a choques externos, como desastres naturais, flutuações de preços das commodities e instabilidade política. O sector de seguros, que poderia funcionar como um amortecedor contra esses riscos, ainda está em desenvolvimento e precisa de soluções adaptadas ao contexto local.
A digitalização, por sua vez, está a transformar muitos sectores em Moçambique, incluindo o financeiro. O aumento do acesso à internet e a popularização de dispositivos móveis têm permitido que mais pessoas acessem serviços financeiros, incluindo seguros. No entanto, ainda existem desafios significativos, como a literacia financeira e a falta de confiança nas instituições financeiras, que precisam ser superados para que o sector de seguros possa prosperar.
Impacto
A implementação de soluções de seguros adaptadas e a promoção da digitalização no sector têm o potencial de transformar a economia moçambicana. Ao aumentar a inclusão financeira, mais indivíduos e empresas poderão beneficiar de produtos de seguros, o que pode levar a um aumento do investimento e do crescimento económico. Além disso, a mitigação de riscos através de seguros pode fortalecer a confiança dos investidores e instituições financeiras, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.
Se estas recomendações forem implementadas com sucesso, o sector de seguros pode desempenhar um papel crucial na construção de uma economia mais resiliente e sustentável em Moçambique. A capacidade de responder rapidamente a desastres naturais e outros riscos poderá salvar vidas e proteger meios de subsistência, contribuindo assim para um desenvolvimento mais inclusivo.
O que se segue
A AMS, sob a liderança de Manuel Gamito, deverá continuar a trabalhar em colaboração com o governo, instituições financeiras e outras partes interessadas para desenvolver e promover soluções de seguros que respondam às necessidades específicas do país. O fortalecimento da capacidade de retenção de riscos em África será uma prioridade, e espera-se que novas políticas e iniciativas sejam anunciadas nos próximos meses, visando a criação de um ambiente mais favorável para o crescimento do sector de seguros.
Além disso, a AMS deverá intensificar os seus esforços na promoção da literacia financeira, ajudando a população a compreender melhor os produtos de seguros disponíveis e a importância da gestão de riscos. Ao fazer isso, a associação poderá contribuir significativamente para o fortalecimento da economia moçambicana e para a criação de uma sociedade mais resiliente e próspera.
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