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Sociedade

ANE Investe Quase 9,9 Mil Milhões de Meticais em Estradas de Cabo Delgado

ANE adjudica quase 9,9 mil milhões de meticais para reabilitação de estradas em Cabo Delgado, levantando questões sobre critérios de prioridade.

terça-feira, 20 de outubro de 2026 às 14:00 23K
ANE Investe Quase 9,9 Mil Milhões de Meticais em Estradas de Cabo Delgado

A Administração Nacional de Estradas (ANE) adjudicou contratos no valor total de 9.881.887.579,36 meticais à empresa Construção A. VARINDA, S.A., para a reabilitação de 197 quilómetros de estradas em Cabo Delgado. As obras abrangem as estradas Montepuez–Namuno, Mecúfi–Mazeze e Mazeze–Chiúre, no âmbito do programa Mais Estradas – 2031. O anúncio da adjudicação foi publicado no jornal Notícias, na edição de 19 de Outubro de 2026, e a escolha da única empresa para a execução das obras levanta questões sobre os critérios de seleção e a capacidade técnica da adjudicatária.

As estradas adjudicadas são de grande importância para a circulação de pessoas e mercadorias na província. A estrada Montepuez–Namuno, que representa o maior contrato, com 3.620.761.489,80 meticais, é um troço de 62 quilómetros. A estrada Mecúfi–Mazeze, com um investimento de 3.396.371.772,54 meticais, abrange 75 quilómetros, enquanto a estrada Mazeze–Chiúre, com 60 quilómetros, recebeu um contrato no valor de 2.864.754.317,02 meticais. O montante total investido nas três estradas coloca em evidência o compromisso financeiro do governo na melhoria da infraestrutura rodoviária, porém, suscita dúvidas sobre a priorização de determinadas obras em detrimento de outras que também são consideradas essenciais.

Um dos pontos críticos é a capacidade da Construção A. VARINDA, S.A. para executar as obras sem depender de subcontratações. Informações disponíveis indicam que a empresa recorre a outras companhias, como a REEF Investimentos, para disponibilizar equipamentos pesados necessários para a realização dos trabalhos, o que levanta questões sobre a eficácia da adjudicação e a real autonomia da empresa escolhida. Além disso, há preocupações sobre o envolvimento de empresas subcontratadas na execução das obras, muitas vezes assumindo uma parte significativa dos trabalhos, o que pode comprometer a qualidade e a supervisão das intervenções.

Contexto

Cabo Delgado é uma província com um histórico de desafios significativos em termos de infraestrutura, especialmente no que diz respeito às estradas. A degradação das vias de acesso tem sido um obstáculo ao desenvolvimento económico e social da região. A província, rica em recursos naturais e com um potencial agrícola considerável, necessita de uma rede de transportes eficaz para facilitar a circulação de produtos e serviços. A implementação do programa Mais Estradas – 2031 visa acelerar a reabilitação e construção de estradas nacionais entre 2026 e 2031, mas a escolha dos troços a serem reabilitados levanta questões sobre a adequação das prioridades estabelecidas. Estradas como Pemba–Metoro, Metoro–Montepuez e Metoro–Rio Lúrio são frequentemente apontadas como fundamentais para o escoamento de produtos agrícolas e o acesso a mercados.

O governo enfrenta a pressão de atender a uma vasta gama de necessidades em termos de infraestrutura, enquanto lida com recursos financeiros limitados. A priorização de certas estradas em detrimento de outras, que igualmente desempenham um papel crítico na economia local, levanta questões sobre a transparência e a justiça na distribuição de investimentos públicos.

Impacto

A adjudicação de quase 9,9 mil milhões de meticais para a reabilitação das estradas em Cabo Delgado terá um impacto significativo na mobilidade da população e no transporte de mercadorias. Contudo, o estado atual das infraestruturas rodoviárias e as condições de circulação permanecem preocupantes. Estradas em mau estado têm o potencial de elevar os custos de transporte, prolongar os tempos de viagem e dificultar o escoamento de produtos agrícolas, o que pode afetar negativamente comerciantes e consumidores.

Além disso, a falta de clareza sobre a capacidade da empresa adjudicatária para executar as obras sem subcontratações levanta preocupações sobre a qualidade das intervenções. Se as empresas subcontratadas assumirem uma parte substancial da execução das obras, isso pode gerar ineficiências e comprometer os padrões de qualidade esperados. O impacto económico das obras, portanto, não se limita apenas à sua conclusão, mas também à sua execução e à eficácia na resolução dos problemas estruturais existentes.

O que se segue

Os próximos passos incluem a necessidade de um acompanhamento rigoroso por parte da ANE e outras entidades responsáveis sobre a execução das obras adjudicadas. É imperativo que a ANE esclareça os critérios de avaliação utilizados na seleção da empresa e os mecanismos de fiscalização que serão implementados para garantir que os recursos públicos sejam aplicados de forma eficiente e transparente.

Além disso, será importante que a ANE divulgue o calendário de execução das obras, as fontes de financiamento e os indicadores que serão utilizados para avaliar os resultados das intervenções. A população e os stakeholders locais devem ser informados sobre o progresso das obras e a forma como estas contribuirão para melhorar a infraestrutura rodoviária da província. O programa Mais Estradas – 2031 deve ser uma oportunidade não apenas para reabilitar estradas, mas para garantir que as prioridades de investimento estejam alinhadas com as necessidades reais da população e do desenvolvimento económico da província de Cabo Delgado.

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