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Economia

Banco de Moçambique mantém taxa de juro em 9,25% em meio a incertezas económicas

Banco de Moçambique decide manter taxa de juro em 9,25% em meio a incertezas económicas e riscos inflacionários.

domingo, 02 de agosto de 2026 às 10:30 22K
Banco de Moçambique mantém taxa de juro em 9,25% em meio a incertezas económicas

Banco de Moçambique mantém taxa de juro em 9,25% em meio a incertezas económicas

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu, na sua última reunião, manter a taxa de juro de política monetária, também conhecida como taxa MIMO, em 9,25%. Esta decisão foi tomada em um contexto de incertezas económicas e foi influenciada por diversos fatores que afetam a economia nacional. A diminuição da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, resultante do aumento do coeficiente de Reservas Obrigatórias, implementado em Maio, foi um dos principais elementos que motivaram a manutenção desta taxa.

Além da questão da liquidez, o CPMO também considerou os riscos associados às previsões de inflação. Entre esses riscos, destacam-se os impactos do conflito no Médio Oriente e a volatilidade nos preços internacionais dos combustíveis, que têm gerado incertezas sobre a estabilidade dos preços a nível interno. Esta situação é particularmente preocupante, uma vez que a inflação é um indicador crucial para a saúde económica de um país, influenciando as decisões de investimento e consumo.

Precedendo a reunião do CPMO, o Comité de Estabilidade e Inclusão Financeira do Banco de Moçambique realizou uma análise detalhada dos riscos sistémicos presentes no sistema financeiro do país. Os resultados dessa análise foram positivos, indicando que o sistema financeiro continua a ser estável e resiliente, mesmo diante das adversidades económicas. Os níveis de inclusão financeira têm mostrado uma evolução positiva, o que é um sinal encorajador para o desenvolvimento económico e social do país.

Em Junho de 2026, a inflação anual foi fixada em 7,5%, um ligeiro aumento em relação aos 7,2% registrados em Maio. Esta subida, embora moderada, é um indicativo das pressões inflacionárias que se fazem sentir em diversos sectores da economia. A inflação subjacente, que exclui os preços mais voláteis, como os dos alimentos e combustíveis, manteve-se estável, mas as expectativas para o futuro indicam um aumento de preços no curto prazo. Isso deve-se, em parte, ao aumento dos preços dos combustíveis e à inflação importada, que também impacta os custos internos.

No que diz respeito ao crescimento económico, as perspectivas são de um desempenho moderado no médio prazo, especialmente quando se exclui o gás natural liquefeito (GNL), que tem sido uma das principais alavancas de crescimento do país. No primeiro trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1%, o que representa uma desaceleração em comparação ao trimestre anterior. Este crescimento, embora positivo, levanta preocupações sobre a capacidade do país de manter um crescimento robusto e sustentável, especialmente em um cenário de elevada dívida pública.

O endividamento público continua a ser um ponto crítico na economia moçambicana. A dívida interna e externa atinge níveis elevados, com a dívida pública interna a somar 538,3 mil milhões de meticais, o que representa um aumento significativo desde Dezembro de 2025. Essa situação de endividamento pode limitar a capacidade do governo em investir em áreas essenciais, como saúde, educação e infra-estrutura, que são fundamentais para o desenvolvimento a longo prazo do país.

Por outro lado, o sector bancário em Moçambique apresenta-se sólido e bem capitalizado, com um rácio de solvabilidade global de 28,1% em Junho de 2026. Isso indica que os bancos estão em uma posição saudável para suportar eventuais choques económicos. Além disso, os indicadores de inclusão financeira têm registado melhorias significativas, impulsionados pela digitalização dos serviços financeiros e pelo aumento do uso de contas de moeda electrónica. Este avanço é crucial, pois a inclusão financeira é um motor importante para o crescimento económico e a redução da pobreza.

O sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como METIX, foi implementado em Março de 2026 e tem contribuído para um aumento significativo nas transações financeiras no país. Este sistema facilita a realização de pagamentos de forma rápida e eficiente, promovendo a inclusão financeira e a modernização do sector bancário.

As compras e vendas de divisas pelos bancos comerciais também mostraram crescimento, atingindo USD 4,24 mil milhões em compras e USD 4,16 mil milhões em vendas, respectivamente, no primeiro semestre de 2026. Este aumento no volume de transações cambiais é um indicativo de uma maior atividade económica, mas também traz à tona os riscos associados às projeções inflacionárias, que continuam a ser elevados tanto a nível interno quanto externo. Entre os fatores que contribuem para esses riscos estão o aumento do endividamento e os impactos de choques climáticos, que podem afetar a produção agrícola e a segurança alimentar.

A próxima reunião do CPMO está agendada para 30 de Setembro de 2026, onde se espera que os membros do comitê reavaliem a situação económica e monetária do país, levando em consideração os dados mais recentes sobre inflação, crescimento económico e estabilidade do sistema financeiro. As decisões tomadas nessa reunião poderão ter um impacto significativo na política monetária e na economia moçambicana como um todo.

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