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Política

Bens de Elvino Dias ainda retidos pelo SERNIC após dois anos do seu assassinato

Bens do advogado Elvino Dias continuam retidos pelo SERNIC, enquanto a Ordem dos Advogados luta pela sua restituição. Entenda o contexto e impacto.

terça-feira, 20 de outubro de 2026 às 15:00 22K
Bens de Elvino Dias ainda retidos pelo SERNIC após dois anos do seu assassinato

Dois anos após o trágico assassinato do advogado Elvino Dias, ocorrido em plena Avenida Joaquim Chissano, a situação dos seus bens continua a ser um tema de grande preocupação para a família e a Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM). Os dispositivos eletrónicos, incluindo um computador e telemóveis, permanecem sob a custódia do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), enquanto o processo judicial ainda se encontra na fase de instrução na Procuradoria-Geral da República.

O assassinato de Elvino Dias, que foi alvo de 25 disparos, não apenas comoveu a sociedade moçambicana, como também desencadeou uma série de manifestações e protestos que refletiram a insatisfação popular em relação à segurança e ao estado da justiça no país. O seu legado, enquanto defensor de direitos e membro activo da OAM, continua a ser lembrado, especialmente agora que a organização decidiu instituir o dia 19 de Outubro como o Dia Nacional das Prerrogativas de Defesa do Advogado, uma homenagem ao seu trabalho e à luta pela justiça.

A bastonária da OAM, Thera Dai, afirmou que a instituição tem estado em constante diálogo com os órgãos competentes da administração da justiça, incluindo a Procuradoria, para que haja um avanço no processo que envolve a restituição dos bens de Elvino Dias. "A celeridade neste processo é fundamental não apenas para a família, mas também para a memória do nosso colega que dedicou a sua vida à defesa dos direitos dos cidadãos", enfatizou Dai.

Os bens de Elvino Dias, que incluem um computador e telemóveis, são considerados essenciais para a continuação da investigação sobre o seu assassinato. Contudo, a retenção prolongada destes dispositivos levanta questões sobre a eficácia da justiça e a urgência na resolução de casos de violência contra advogados e defensores dos direitos humanos em Moçambique.

A OAM tem estado a pressionar para que a Procuradoria-Geral da República acelere o processo, alegando que a demora na devolução dos bens é uma violação das prerrogativas dos advogados, que devem ser protegidos no exercício das suas funções. A bastonária referiu que a situação actual não só afeta a família de Elvino Dias, mas também representa um desafio para a confiança da sociedade na justiça.

Contexto

Moçambique tem enfrentado vários desafios em matéria de segurança e justiça, especialmente no que se refere à protecção de advogados e defensores dos direitos humanos. O assassinato de Elvino Dias é um exemplo trágico das consequências da impunidade e da violência que ainda permeiam o sistema judicial do país. A OAM tem promovido a defesa das prerrogativas dos advogados, e a criação do Dia Nacional das Prerrogativas de Defesa do Advogado é uma tentativa de reforçar a importância do trabalho dos advogados na sociedade e de garantir que não sejam silenciados pelo medo.

As manifestações que se seguiram ao assassinato de Elvino demonstraram um clamor popular por justiça e segurança, revelando a insatisfação com a resposta das autoridades em casos de violência contra figuras públicas. O governo e o sistema judicial enfrentam a pressão da sociedade civil para garantir que tais crimes não fiquem impunes e que os direitos dos cidadãos sejam sempre respeitados.

Impacto

A retenção dos bens de Elvino Dias pelo SERNIC tem um impacto significativo na sua família, que continua a viver a dor da perda e a incerteza em relação ao futuro. A devolução dos bens é vista como um passo importante para a sua recuperação emocional e financeira. Além disso, a situação levanta questões sobre a eficácia da justiça em Moçambique e a necessidade de reformas que garantam a segurança dos advogados e a proteção dos seus direitos.

A OAM, ao lutar pela restituição dos bens, também está a dar voz a um problema mais amplo que afeta muitos advogados no país, promovendo um debate sobre a importância da segurança para os profissionais do direito. A sociedade civil observa atentamente como este caso evolui, pois pode funcionar como um indicador da força do sistema judicial e da capacidade do governo em responder adequadamente a questões de violência e impunidade.

O que se segue

O futuro imediato envolve a continuação do processo judicial em curso na Procuradoria-Geral da República, onde se espera que haja avanços significativos na investigação do assassinato de Elvino Dias. A OAM continuará a pressionar pela celeridade na devolução dos bens, acreditando que isso não apenas beneficiará a família do advogado, mas também enviará uma mensagem positiva à sociedade sobre a importância da justiça.

Adicionalmente, a sociedade civil e as organizações de direitos humanos devem continuar a monitorar a situação, exigindo que as autoridades tomem medidas concretas para melhorar a segurança dos advogados e garantir que casos semelhantes não voltem a ocorrer. O Dia Nacional das Prerrogativas de Defesa do Advogado, instituído em memória de Elvino Dias, poderá servir como um catalisador para discussões mais amplas sobre a segurança e os direitos dos advogados em Moçambique.

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