Cabo Delgado em Ascensão: Crescimento do Emprego Empresarial em Moçambique
Cabo Delgado destaca-se pelo crescimento do emprego empresarial, mas Maputo mantém a liderança na concentração económica. Conheça os números.

O panorama empresarial moçambicano revela uma transformação significativa, com Cabo Delgado a emergir como um polo de crescimento do emprego empresarial. Em 2025, a província do norte do país registou um impressionante aumento de 41,3% no número de trabalhadores ao serviço de empresas e estabelecimentos, passando de 26.883 para 37.985. Este aumento representa um acréscimo de 11.102 postos de trabalho, demonstrando a vitalidade do tecido empresarial local.
Os dados foram publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na sua recente ficha estatística sobre Empresas e Instituições Sem Fins Lucrativos, que realça o crescimento das empresas na região. Durante o mesmo período, Cabo Delgado viu o número de empresas e estabelecimentos activos crescer 30,8%, de 3.902 para 5.103, posicionando-se à frente de outras províncias como Nampula e Niassa, que registaram crescimentos de 19,4% e 15,6%, respectivamente.
No entanto, esta evolução positiva no norte do país contrasta com a predominância das cidades e províncias de Maputo, que continuam a ser os principais centros económicos de Moçambique. A Cidade de Maputo, em 2025, contabilizou 30.468 empresas e estabelecimentos, o que representa 29,8% do total nacional. A Província de Maputo, por sua vez, registou 14.019 unidades, correspondendo a 13,7% do total.
A concentração de emprego é ainda mais acentuada. A Cidade de Maputo alojava 388.847 trabalhadores, ou seja, 38,6% do total nacional, enquanto a Província de Maputo tinha 125.046. Em termos gerais, Moçambique apresentou um total de 1.007.954 pessoas ao serviço em empresas e estabelecimentos, um aumento de 9,2% em relação ao ano anterior.
Além disso, a estrutura empresarial moçambicana continua a ser dominada por microempresas, que representavam 65,7% das 93.612 empresas activas em 2025. Estas microempresas eram responsáveis por empregar 278.379 pessoas, o que equivale a 31,7% do total de trabalhadores. As grandes empresas, embora em número reduzido, absorvem uma parte significativa do emprego, representando 28,3% do total de pessoas ao serviço.
O crescimento do emprego nas microempresas foi de 12% em relação a 2024, com Nampula a destacar-se com a maior variação entre estas entidades, alcançando 27,3%. Cabo Delgado, ao incluir todas as entidades legais activas, incluindo instituições sem fins lucrativos, viu um crescimento ainda mais acentuado de 42,5% no número de pessoas ao serviço, passando de 30.406 em 2024 para 43.315 em 2025.
Contexto
Moçambique é um país rico em recursos naturais, mas enfrenta desafios estruturais na distribuição da actividade económica. A concentração de empresas e emprego nas áreas urbanas, especialmente nas regiões de Maputo, tem sido uma característica persistente da economia moçambicana. Esta concentração, resultado de factores históricos e socioeconómicos, tem motivado discussões sobre a necessidade de descentralização da actividade económica para fomentar um desenvolvimento mais equilibrado nas diversas províncias do país.
Nos últimos anos, o governo e diversas organizações têm promovido iniciativas voltadas para a diversificação económica e o incentivo ao empreendedorismo nas regiões menos desenvolvidas, como Cabo Delgado, que, apesar de ter enfrentado desafios relacionados ao conflito armado, tem mostrado sinais de recuperação e crescimento. A exploração de gás natural e outros recursos na província também contribui para este crescimento, criando novas oportunidades de emprego.
Impacto
O crescimento do emprego empresarial em Cabo Delgado traz consigo uma série de consequências positivas para a região e para o país. A criação de novos postos de trabalho não apenas ajuda a reduzir as taxas de desemprego, mas também contribui para o aumento da renda das famílias, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. Além disso, o aumento do número de empresas pode fomentar uma concorrência saudável, promovendo a inovação e o desenvolvimento de novos produtos e serviços.
No entanto, a continuidade da concentração de emprego em Maputo levanta preocupações sobre a sustentabilidade desse crescimento. Se a dinâmica de crescimento em Cabo Delgado não se traduzir numa descentralização efectiva da actividade produtiva e do emprego formal, corre-se o risco de criar disparidades ainda maiores entre as regiões, perpetuando a desigualdade económica e social.
O que se segue
O próximo passo para Moçambique será monitorar e avaliar se o crescimento do emprego em Cabo Delgado e outras províncias se manterá a longo prazo. É crucial que o governo e as instituições públicas implementem políticas que incentivem o investimento em regiões menos desenvolvidas, promovendo a formação de talentos locais e o apoio a micro e pequenas empresas.
O desafio será, assim, criar um ambiente favorável que permita que o crescimento empresarial se expanda para além das fronteiras de Maputo, possibilitando uma verdadeira descentralização da economia. Caso contrário, o potencial de crescimento observado poderá não ser suficiente para alterar o panorama económico de forma significativa, mantendo as desigualdades existentes e limitando as oportunidades para as gerações futuras.
Comentários(0)
Registe-se para comentar.
Registar…
