Crescimento da Moeda Eletrónica Reduz Rede de Caixas Automáticos e Terminais POS em Moçambique
O relatório do BdM de 2025 revela a ascensão da moeda eletrónica em Moçambique, reduzindo ATMs e terminais POS.

Crescimento da Moeda Eletrónica Reduz Rede de Caixas Automáticos e Terminais POS em Moçambique
A utilização de caixas automáticos (ATMs) e terminais de ponto de venda (POS) está a diminuir em Moçambique, enquanto os serviços de moeda eletrónica estão a ganhar destaque como a principal força motriz da inclusão financeira. Esta informação foi divulgada no Relatório de Inclusão Financeira de 2025 do Banco de Moçambique (BdM), evidenciando uma transformação significativa no panorama financeiro do país.
De acordo com os dados apresentados no relatório, Moçambique contava com 482,359 pontos de acesso a serviços financeiros em 2025, o que representa um aumento de 36% em relação a 2024. A maioria deste crescimento deve-se à expansão de agentes não bancários associados a Instituições de Moeda Eletrónica (EMIs). No final de 2025, o país registou 446,604 agentes não bancários, um aumento impressionante de 41.8% comparado aos 315,005 do ano anterior. Estes agentes, que operam principalmente através de telemóveis, tornaram-se o canal principal para o acesso a serviços financeiros, destacando-se pela sua acessibilidade e conveniência em diversas áreas do país.
Em contraste, a rede tradicional de ATMs e terminais POS sofreu uma queda significativa. O número de ATMs reduziu de 1,391 para 1,383, enquanto os terminais POS diminuíram de 35,486 para 32,236, representando uma redução de 9.2%. O relatório do BdM assinala que 2025 foi marcado por uma tendência positiva em inclusão financeira, impulsionada pela digitalização e pela expansão dos serviços das EMIs, que têm vindo a transformar a maneira como os moçambicanos acedem aos serviços financeiros.
A redução dos terminais POS é atribuída ao desmantelamento de terminais que não eram rentáveis. Este fenómeno é um reflexo da adaptação do mercado às novas realidades económicas e tecnológicas, onde a eficiência e a rentabilidade são cruciais para a sustentabilidade dos serviços financeiros. Em termos de contas, as contas em instituições de moeda eletrónica superaram as de bancos tradicionais, atingindo 1,313 contas de moeda eletrónica por 1,000 adultos, um aumento de 20% em relação a 2024. Este crescimento é particularmente notável entre as mulheres, com a propriedade de contas de moeda eletrónica a aumentar 24%, refletindo um avanço na inclusão financeira feminina.
Contudo, a desigualdade no acesso ao crédito continua a ser uma preocupação. O relatório revela que a participação feminina no acesso ao crédito aumentou de 31% para 34%, enquanto a masculina subiu de 59% para 66%. Este dado sublinha a necessidade de esforços contínuos para garantir que as mulheres tenham igualdade de oportunidades no acesso ao crédito e a outros serviços financeiros, um aspecto fundamental para o desenvolvimento económico do país.
O relatório também destaca melhorias na cobertura financeira em províncias com menor presença bancária, como Niassa e Cabo Delgado. Esta evolução é crucial para promover a inclusão financeira em áreas que tradicionalmente têm sido marginalizadas no que diz respeito ao acesso a serviços bancários. No entanto, o índice nacional de inclusão financeira permanece moderado, fixando-se em 36.4 pontos, o que indica que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar uma inclusão financeira abrangente e equitativa em Moçambique.
Contexto
Moçambique tem vindo a experimentar uma evolução significativa no seu sector financeiro, impulsionada pela digitalização e pela crescente utilização de tecnologias financeiras. A moeda eletrónica, em particular, tem sido um catalisador para a inclusão financeira, permitindo que um número crescente de cidadãos aceda a serviços financeiros básicos. A evolução do sector financeiro está também alinhada com as políticas do governo e as iniciativas do Banco de Moçambique, que visam promover a inclusão financeira como um meio de fomentar o desenvolvimento económico e social.
A digitalização dos serviços financeiros não só facilita o acesso, mas também promove a eficiência operacional das instituições financeiras. Além disso, a crescente penetração de telemóveis e a melhoria da rede de telecomunicações em Moçambique têm contribuído para o aumento da utilização de serviços de moeda eletrónica. Esta tendência é particularmente relevante em um país onde uma parte significativa da população ainda não tem acesso a serviços bancários tradicionais.
Impacto
O impacto da crescente utilização de moeda eletrónica em Moçambique é multidimensional. Em primeiro lugar, a inclusão financeira tem o potencial de melhorar a qualidade de vida das pessoas, permitindo-lhes gerir melhor os seus recursos financeiros, poupar e investir. A digitalização dos serviços financeiros também tem um efeito positivo na economia, ao facilitar transações comerciais, aumentar a eficiência e reduzir custos associados ao manuseio de dinheiro físico.
Além disso, a inclusão financeira pode contribuir para o empoderamento das mulheres, uma vez que a crescente propriedade de contas de moeda eletrónica entre mulheres é um sinal encorajador. Com mais mulheres a aceder a serviços financeiros, há uma maior possibilidade de que possam participar activamente na economia, o que é fundamental para o desenvolvimento sustentável do país.
No entanto, a persistência da desigualdade no acesso ao crédito e a outras oportunidades financeiras representa um desafio significativo. A necessidade de políticas que abordem essas desigualdades é crucial para garantir que todos os segmentos da sociedade se beneficiem das inovações no sector financeiro.
O que se segue
O futuro do sector financeiro em Moçambique será moldado pela continuação da digitalização e pela expansão dos serviços de moeda eletrónica. Espera-se que as Instituições de Moeda Eletrónica (EMIs) continuem a expandir a sua presença, especialmente em áreas rurais e menos servidas, onde o acesso a serviços financeiros ainda é limitado.
Além disso, as políticas públicas deverão ser ajustadas para promover uma maior inclusão financeira, com foco em grupos vulneráveis, incluindo mulheres e jovens. O governo e as instituições financeiras deverão trabalhar em conjunto para desenvolver soluções que respondam às necessidades específicas desses grupos, de modo a garantir que todos os moçambicanos possam beneficiar das oportunidades proporcionadas pela digitalização dos serviços financeiros.
A monitorização contínua dos indicadores de inclusão financeira será essencial para avaliar o progresso e identificar áreas que necessitam de intervenção. O Banco de Moçambique deverá continuar a desempenhar um papel fundamental na supervisão e regulação do sector, assegurando que as inovações tecnológicas não comprometam a segurança e a integridade do sistema financeiro.
Em suma, a evolução do sector financeiro em Moçambique, marcada pelo crescimento da moeda eletrónica e pela redução da rede tradicional de ATMs e terminais POS, traz consigo oportunidades e desafios que devem ser abordados de forma estratégica para garantir um futuro financeiro inclusivo e sustentável para todos os cidadãos.
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