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Economia

Desafios da Inclusão Digital das Mulheres em Moçambique

Clara de Sousa alerta sobre a exclusão digital que afeta mulheres moçambicanas, destacando os riscos económicos e sociais.

quinta-feira, 06 de agosto de 2026 às 05:00 15K
Desafios da Inclusão Digital das Mulheres em Moçambique

A economista Clara de Sousa, com uma carreira distinta que inclui papéis como administradora do Banco de Moçambique e ex-directora do Banco Mundial, expressou preocupações sobre a crescente exclusão digital que afeta as mulheres moçambicanas. Em um cenário onde a tecnologia e a conectividade são cada vez mais essenciais para a participação plena na economia, a falta de acesso e habilidades digitais pode levar a um agravamento das desigualdades de género.

Durante uma conferência sobre inclusão económica e digital, realizada na cidade de Maputo, Clara de Sousa destacou que esta exclusão não é apenas uma questão de acesso a dispositivos tecnológicos, mas também a habilidades e conhecimentos necessários para utilizar essas ferramentas de forma eficaz. "As mulheres que não têm acesso à tecnologia moderna estão em risco de serem deixadas para trás em um mundo cada vez mais digitalizado," afirmou a economista.

Estudos indicam que apenas cerca de 30% das mulheres em Moçambique têm acesso à internet, um número que contrasta com a taxa de penetração global, onde aproximadamente 50% das mulheres estão conectadas. Este fosso digital não apenas limita as oportunidades de emprego e empreendedorismo, mas também afeta o acesso a informações vitais, serviços financeiros e educação.

A economista sublinhou que, em um país onde a economia informal representa uma parte significativa do emprego, a falta de inclusão digital pode resultar em uma dupla exclusão económica para as mulheres. "Se as mulheres não conseguirem se adaptar ao novo ecossistema digital, correm o risco de perder oportunidades de emprego e de não conseguir expandir seus negócios," disse Clara de Sousa.

Contexto

Moçambique, um país em desenvolvimento na região da África Austral, enfrenta desafios significativos no que diz respeito à inclusão digital. A penetração da internet e o acesso a dispositivos tecnológicos ainda são limitados, especialmente nas áreas rurais e entre populações vulneráveis, como as mulheres. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a disparidade de género na educação e na utilização de tecnologias da informação e comunicação (TIC) é um reflexo das normas sociais e culturais que ainda prevalecem.

O governo moçambicano tem implementado várias iniciativas para melhorar o acesso à tecnologia, mas a implementação é desigual, e as mulheres continuam a ser desproporcionalmente afetadas. A falta de políticas específicas que abordem a inclusão digital das mulheres é uma lacuna que precisa ser preenchida, de modo a garantir que todas as moçambicanas possam beneficiar das oportunidades que a tecnologia proporciona.

Impacto

A exclusão digital tem consequências profundas para as mulheres moçambicanas, não apenas em termos de oportunidades económicas, mas também em termos de empoderamento social. Sem acesso à informação e à capacidade de se conectar digitalmente, as mulheres estão em desvantagem em relação aos homens em várias áreas, incluindo educação, saúde e participação cívica.

Empresas que dependem da tecnologia para operar também podem sofrer com a falta de inclusão das mulheres, pois uma força de trabalho diversificada tem demonstrado ser mais inovadora e produtiva. Além disso, a exclusão digital pode perpetuar ciclos de pobreza, dificultando o acesso a serviços financeiros e à criação de pequenos negócios, que são essenciais para o desenvolvimento económico local.

O que se segue

Em resposta a esses desafios, Clara de Sousa sugeriu a necessidade urgente de desenvolver políticas que promovam a inclusão digital das mulheres em Moçambique. Isso pode incluir programas de formação em habilidades digitais, iniciativas que incentivem o acesso a dispositivos tecnológicos e campanhas de sensibilização que desafiem as normas culturais que limitam o acesso das mulheres à tecnologia.

O governo e as organizações não-governamentais têm um papel crucial a desempenhar na criação de um ambiente que favoreça a inclusão digital. A implementação de parcerias entre o setor público e privado pode ser uma estratégia eficaz para ampliar o acesso e garantir que as mulheres moçambicanas possam participar plenamente na economia digital. A equidade no acesso à tecnologia não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma condição essencial para o crescimento económico sustentável do país.

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