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Sociedade

Ex-Guerilheiros da RENAMO Denunciam Manobras da Direcção do Partido

Ex-guerilheiros da RENAMO alertam para manobras da direcção do partido e prometem acções durante reunião em Matola.

quarta-feira, 09 de setembro de 2026 às 17:00 2,0K
Ex-Guerilheiros da RENAMO Denunciam Manobras da Direcção do Partido

Um grupo de ex-guerilheiros da RENAMO expressou preocupações sobre a próxima reunião do Conselho Nacional do partido, agendada para Outubro, considerando-a uma "manobra dilatória" que visa prolongar o impasse interno na principal força da oposição em Moçambique. A posição foi divulgada durante uma conferência de imprensa realizada a 9 de Setembro por João Machava, porta-voz da Comissão Nacional de Gestão da RENAMO, que enfatizou a urgência em resgatar a identidade e a essência do partido.

Os ex-combatentes, que foram desmobilizados após o fim da guerra civil em Moçambique, afirmam que a actual direcção do partido tem implementado estratégias que visam atrasar processos essenciais, como a preparação para os próximos pleitos eleitorais. Machava fez questão de frisar que a direcção liderada por Ossufo Momade não está a agir em benefício dos membros do partido ou da população, mas sim a seguir uma agenda que não se alinha com os interesses dos moçambicanos.

"Estamos atentos às manobras da actual direcção e não permaneceremos de braços cruzados. O nosso compromisso é com a RENAMO e com o povo moçambicano. Não permitiremos que o partido caia nas mãos de quem não o representa", garantiu Machava, sublinhando que a reunião de coordenação marcada para os dias 12 e 13 de Setembro na cidade da Matola será uma oportunidade para discutir as estratégias de resistência e as medidas a serem adoptadas.

Os ex-guerrilheiros enfatizaram a necessidade de reverter o que consideram ser a actual situação de estagnação e descontentamento entre os membros da RENAMO, prometendo que irão trabalhar para devolver ao partido a sua verdadeira essência e propósito.

Contexto

A RENAMO, ou Resistência Nacional Moçambicana, foi um dos principais actores na guerra civil que assolou Moçambique entre 1977 e 1992. Desde então, o partido tornou-se uma força política significativa, embora tenha enfrentado várias crises internas. A liderança de Ossufo Momade, que assumiu o cargo após a morte de Afonso Dhlakama, tem sido marcada por críticas tanto de adversários políticos quanto de membros históricos do partido. As tensões internas são frequentemente exacerbadas por disputas sobre a direcção política e a estratégia do partido nas eleições.

A questão do descontentamento entre os ex-guerilheiros é um fenómeno que se tem agravado, especialmente com as tensões políticas em Moçambique, onde a competição entre os partidos políticos, nomeadamente a FRELIMO e a RENAMO, continua a ser acirrada. A capacidade de mobilização e coerência interna da RENAMO é crucial, especialmente com as eleições autárquicas e gerais a aproximarem-se, tornando a situação ainda mais delicada para o partido.

Impacto

As afirmações dos ex-guerilheiros da RENAMO podem ter repercussões significativas para a dinâmica interna do partido e, por extensão, para o cenário político moçambicano. A insatisfação crescente entre os membros pode levar a uma fragmentação dentro da RENAMO, o que poderá beneficiar a FRELIMO, o partido no poder, que já se beneficia de uma estrutura política consolidada e de um apoio significativo em várias regiões do país.

Além disso, o descontentamento entre os ex-combatentes pode impactar a imagem da RENAMO, especialmente junto dos eleitores que esperam uma oposição forte e unida. A falta de consenso interno pode também desviar a atenção das questões políticas que são mais relevantes para os cidadãos, como a economia, a segurança e a saúde pública.

O que se segue

Com a reunião de coordenação agendada para os dias 12 e 13 de Setembro, espera-se que surjam novas estratégias e posicionamentos que possam alterar a dinâmica interna da RENAMO. Os ex-guerilheiros prometem adoptar medidas que consideram necessárias para enfrentar as manobras da actual direcção, o que poderá incluir acções de protesto ou mesmo a formação de movimentos paralelos dentro do partido.

Além disso, as próximas semanas serão cruciais para observar como a direcção da RENAMO irá reagir a essas críticas e se haverá alguma tentativa de reforçar a coesão interna do partido. O foco deverá ser na preparação para os pleitos eleitorais, uma vez que a capacidade de mobilização e a unidade serão fundamentais para o sucesso da RENAMO nas próximas eleições. As movimentações políticas e as decisões que forem tomadas nas próximas semanas poderão definir o futuro do partido e a sua relevância no panorama político de Moçambique.

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