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Economia

FUNAE Busca Parcerias e Financiamento para Expandir Acesso à Energia Solar Off-Grid

FUNAE procura parcerias para expandir o acesso à energia solar em comunidades sem eletricidade, promovendo o desenvolvimento rural.

sábado, 29 de agosto de 2026 às 05:00 11K
FUNAE Busca Parcerias e Financiamento para Expandir Acesso à Energia Solar Off-Grid

O Fundo de Energia de Moçambique (FUNAE) está a mobilizar esforços para encontrar novos parceiros e fontes de financiamento que permitam acelerar a implementação de soluções de energia solar em comunidades que ainda não estão conectadas à rede elétrica nacional. Esta iniciativa surge como parte de uma estratégia mais ampla para aumentar o acesso à energia e impulsionar a atividade económica nas áreas rurais. A discussão em torno desta iniciativa teve lugar durante a 8ª Reunião do Comité Regional da Aliança Solar Internacional (ISA) para África, que ocorreu em Harare, Zimbabwe, de 25 a 27 de agosto de 2023, reunindo representantes de governos, missões diplomáticas e instituições do sector energético de diversos países.

A delegação moçambicana foi representada por Edson Uamusse, administrador da Divisão de Apoio do FUNAE, e Damião Namuera, que representou o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME). Durante a reunião, foram discutidas várias oportunidades de cooperação e mecanismos de financiamento para projectos solares, com foco em comunidades que permanecem sem acesso à rede elétrica. Um dos principais objectivos é aumentar a capacidade de geração solar em África para 200 gigawatts até 2030 e 1.000 gigawatts até 2050.

Para Moçambique, a expansão dos sistemas solares off-grid pode permitir que a eletricidade chegue a áreas remotas sem depender exclusivamente da extensão da infraestrutura convencional de rede. A reunião também abordou o uso da energia solar na agricultura, incluindo sistemas de irrigação, processamento de produtos e armazenamento a frio, que têm o potencial de aumentar a produtividade e gerar novas fontes de rendimento para as comunidades rurais. Além disso, foi discutida a expansão de soluções de telhados solares, que envolvem a instalação de sistemas solares nos telhados dos edifícios, abrindo novas avenidas para investimentos privados e diversificação da geração de eletricidade.

Apesar do considerável potencial solar do continente, a implementação de projectos enfrenta desafios significativos, incluindo a disponibilidade de financiamento e os riscos percebidos associados a tais investimentos. Nesse contexto, a mobilização de recursos e o desenvolvimento de mecanismos de financiamento foram destacados como prioridades chave durante a reunião. Para Moçambique, a participação neste encontro representa uma oportunidade de forjar novas parcerias e atrair recursos destinados à electrificação rural, com a energia solar sendo vista não apenas como uma forma de iluminar comunidades, mas também como um instrumento para energizar a agricultura, pequenos negócios e outras actividades económicas.

Contexto

Moçambique é um país que possui uma vasta diversidade de recursos energéticos, incluindo potencial solar significativo devido à sua localização geográfica. Com uma população superior a 30 milhões de habitantes, muitos dos quais residem em áreas rurais, o acesso à energia continua a ser um desafio. Segundo dados do MIREME, apenas cerca de 30% da população tem acesso à eletricidade, sendo que a maioria dos cidadãos em zonas rurais ainda depende de fontes de energia não renováveis, como a lenha e o carvão.

O FUNAE, criado em 1997, tem como missão promover o acesso à energia de forma sustentável, visando não só a electrificação rural, mas também a promoção de energias renováveis. A energia solar, em particular, é considerada uma solução promissora para resolver o problema do acesso à energia em regiões isoladas, onde a construção de infraestrutura de rede elétrica convencional é financeiramente inviável. A Aliança Solar Internacional, que congrega diversos países, tem como um dos seus principais objectivos promover a utilização da energia solar para o desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza.

Impacto

A expansão do acesso à energia solar em comunidades rurais tem o potencial de transformar significativamente a vida dos cidadãos, estimulando a economia local e melhorando a qualidade de vida. O acesso à eletricidade permite que as comunidades desenvolvam pequenas indústrias, melhorem a qualidade da educação com a utilização de tecnologias educativas e aumentem a segurança alimentar através da irrigação eficiente e do armazenamento de produtos.

Além disso, a utilização de energias renováveis pode contribuir para a redução da dependência de combustíveis fósseis e, consequentemente, para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Investir em energia solar também pode criar novas oportunidades de emprego nas áreas de instalação, manutenção e gestão de sistemas solares. Em última análise, a electrificação rural através de energia solar pode levar a um aumento significativo do PIB nas áreas mais afectadas pela falta de acesso à eletricidade, promovendo um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo.

O que se segue

Em termos de próximos passos, o FUNAE pretende continuar a explorar parcerias estratégicas com instituições financeiras, organizações não-governamentais e entidades privadas, para garantir que os fundos necessários sejam mobilizados para a execução de projectos solares em comunidades desprovidas de acesso à rede elétrica. A participação em fóruns internacionais, como o Comité Regional da Aliança Solar Internacional, será uma prioridade para o FUNAE, com o objetivo de captar experiências de outros países e promover a partilha de conhecimentos.

Além disso, o FUNAE está a trabalhar no desenvolvimento de modelos financeiros que possam atrair investimentos privados para o sector solar, minimizando os riscos percebidos e facilitando a implementação de projectos. Espera-se que, nos próximos anos, Moçambique consiga avançar significativamente na electrificação rural através de soluções solares, contribuindo para um futuro mais sustentável e inclusivo para todos os seus cidadãos.

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