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Sociedade

GCCC Arquiva Processo Sobre Aeronaves da LAM por Falta de Indícios Criminais

GCCC arquiva caso sobre aquisição de aeronaves pela LAM, alegando falta de indícios criminais.

sábado, 22 de agosto de 2026 às 23:00 20K
GCCC Arquiva Processo Sobre Aeronaves da LAM por Falta de Indícios Criminais

O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) de Moçambique tomou a decisão de arquivar um processo que investigava alegadas irregularidades na aquisição de três aeronaves pela Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). A informação foi revelada em um ofício datado de 10 de agosto, enviado ao ministro dos Transportes e Logística. A investigação havia sido iniciada devido a denúncias públicas sobre a compra de uma aeronave Bombardier Q400, que custou cerca de seis milhões de dólares, e duas Embraer 190, adquiridas no contexto de um processo de reestruturação da companhia.

Durante a investigação, o GCCC conduziu uma auditoria interna na LAM, onde foram encontradas várias deficiências, tais como a “ausência ou insuficiência de atas, deliberações e resoluções formais” relacionadas a certos processos de aquisição. Além disso, a auditoria revelou a falta de estudos estruturados de viabilidade económica, técnica e financeira para a aquisição das aeronaves, bem como irregularidades na instrução dos processos de compra e a alegada preterição de procedimentos concorrenciais.

O GCCC identificou ainda o recurso a intermediários na prospeção das aeronaves, insuficiências nas inspeções pré-compra e outras irregularidades de natureza técnica e operacional associadas à frota da Bombardier Q400. No entanto, o órgão concluiu que não foram coletados elementos suficientes que justificassem a imputação de responsabilidade criminal, levando ao arquivamento do processo. O porta-voz do GCCC, Romualdo Johnam, declarou em uma conferência de imprensa que as investigações encontraram falhas administrativas e de documentação, mas não indícios de crime.

Além do arquivamento do caso, o GCCC recomendou o reforço dos mecanismos de controlo interno e de governança corporativa na LAM, visando melhorar a instrução dos procedimentos e a fiscalização das decisões de gestão da empresa. A aquisição da Bombardier Q400, anunciada em agosto do ano passado, foi a primeira realizada pela LAM em quase duas décadas. Em dezembro, a companhia também anunciou a compra de duas Embraer 190, que agora fazem parte da frota e operam sob a marca Air Mozambique, aumentando o número total de aeronaves operacionais para dez, com a expectativa de elevar para doze até dezembro.

O governo moçambicano tem promovido a reestruturação da LAM como parte de um plano para aumentar a eficiência operacional e garantir a sustentabilidade financeira da transportadora, além de melhorar a qualidade dos serviços prestados aos passageiros. No âmbito desse processo, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) adquiriu, em 2025, uma participação de 25,2% na LAM, enquanto a Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) e os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) passaram a deter cada um, 15,4% da companhia.

Vale ressaltar que a corrupção tem sido um problema significativo em Moçambique, com o GCCC reportando perdas superiores a 3,2 mil milhões de meticais (43,6 milhões de euros) no primeiro semestre do ano, e a recuperação de apenas 581 mil meticais (7.841 euros) em casos de corrupção. Essa realidade destaca a necessidade de uma maior vigilância e reformas estruturais nas instituições públicas, especialmente em setores como a aviação, que enfrentam desafios relacionados à transparência e à boa governança.

O recente arquivamento do processo das aeronaves da LAM levanta preocupações sobre a eficácia dos mecanismos de combate à corrupção em Moçambique. Para muitos cidadãos, a decisão do GCCC pode ser vista como um retrocesso na luta contra a corrupção, especialmente em um contexto onde a confiança nas instituições públicas é cada vez mais abalada por escândalos de desvio de fundos e má gestão.

Contexto

Moçambique tem enfrentado desafios significativos no combate à corrupção, um problema que afeta diversas esferas da administração pública e do setor privado. A falta de transparência e a má gestão de recursos públicos têm sido frequentemente apontadas como fatores que contribuem para a deterioração da confiança da população nas instituições estatais. O GCCC foi criado com o intuito de combater a corrupção e promover a integridade nas práticas governamentais, mas enfrenta críticas sobre a sua eficácia na investigação e punição de atos corruptos.

O setor da aviação em Moçambique, representado pela LAM, tem passado por um processo de reestruturação com o objetivo de revitalizar a companhia e melhorar os serviços oferecidos aos passageiros. A introdução da marca Air Mozambique e a aquisição de novas aeronaves são parte desse esforço, mas as irregularidades identificadas nas aquisições levantam questões sobre a governança e a gestão da empresa.

Impacto

O arquivamento do processo de investigação sobre as aeronaves da LAM pode ter várias consequências para os cidadãos e para a própria empresa. Para a população, a decisão pode ser vista como um sinal de impunidade e a continuidade das práticas corruptas no país, o que pode minar a confiança nas instituições públicas. Além disso, a falta de responsabilização pode desincentivar a adoção de melhores práticas de governança e transparência nas empresas públicas.

Para a LAM, a recomendação do GCCC para melhorar os mecanismos de controlo interno e a governança corporativa pode trazer à tona a necessidade de uma reavaliação profunda dos seus processos administrativos. Se a empresa não agir de acordo com essas recomendações, corre o risco de enfrentar novas investigações e repercussões negativas que poderiam afetar ainda mais a sua reputação e a sustentabilidade financeira.

O que se segue

Após o arquivamento do processo, espera-se que a LAM implemente as recomendações feitas pelo GCCC sobre o reforço dos mecanismos de controlo interno e de governança. A companhia deverá também continuar a sua reestruturação, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional e garantir a sustentabilidade financeira.

A expectativa é que haja um acompanhamento por parte do governo e da sociedade civil sobre a implementação dessas recomendações e sobre a transparência nos processos de aquisição na LAM. O fortalecimento da governança corporativa poderá ser um passo importante para restaurar a confiança da população na companhia e nas instituições públicas como um todo. Além disso, a luta contra a corrupção em Moçambique continuará a ser um tema central, com a necessidade de reformas que assegurem a responsabilização e a transparência nas ações do governo e das empresas públicas.

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