Governo de Moçambique elabora plano de 401 milhões de dólares para enfrentar El Niño
Plano de mitigação do governo visa proteger 343 mil moçambicanos dos impactos do fenômeno El Niño em 2026/2027.

O Governo de Moçambique está a preparar um plano de mitigação avaliado em aproximadamente 401 milhões de dólares norte-americanos, com o objetivo de enfrentar os potenciais impactos do fenómeno El Niño durante a época chuvosa de 2026/2027. Este anúncio foi feito pelo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, durante a abertura do 12.º Conselho Coordenador do Ministério, que decorreu em Maputo.
O plano abrange diversas áreas essenciais como abastecimento de água, agricultura, pecuária, saúde, educação, proteção social e assistência alimentar. Fernando Rafael revelou que a iniciativa visa fornecer assistência alimentar de emergência a cerca de 343.773 pessoas, o que corresponde a aproximadamente 68.755 famílias. Além disso, a proteção social será estendida a cerca de 234 mil famílias, com intervenções específicas para mitigar os efeitos da seca e das mudanças climáticas.
As intervenções previstas no plano incluem a construção e reabilitação de sistemas de abastecimento de água, represas, reservatórios e furos multiusos. Será também realizada a distribuição de sementes resistentes à seca e implementadas medidas para proteger o gado, que é uma fonte vital de sustento para muitos moçambicanos. O reforço da alimentação escolar, assistência nutricional e sanitária, além do apoio a famílias mais vulneráveis, também estão contemplados.
Para garantir a eficácia do plano, o governo já conseguiu mobilizar 125 milhões de dólares através de apoio externo, que serão aplicados em recursos hídricos, abastecimento de água, saneamento e higiene, agricultura, pecuária e pescas. O ministro enfatizou que a implementação da resposta ao El Niño ocorrerá em fases, começando pela preparação e resposta imediata, seguida pela recuperação e estabilização, e terminando com o reforço da resiliência e prevenção.
Fernando Rafael sublinhou a importância de proteger as populações, garantindo acesso a água, alimentos e serviços essenciais. A estratégia também pretende aproveitar a resposta à crise para construir infraestruturas e comunidades mais resilientes a secas e futuros eventos climáticos extremos. O ministro fez um apelo à população para que utilize a água de forma racional, evitando desperdícios e seguindo as orientações das autoridades, além de acompanhar os avisos meteorológicos e os sistemas de alerta prévio.
Apesar dos desafios que o fenômeno El Niño pode trazer, o Governo de Moçambique está determinado a continuar os investimentos em 2027, focando no aumento da capacidade de armazenamento de água, na segurança das infraestruturas hidráulicas, na proteção contra cheias e no aprofundamento do conhecimento sobre os recursos hídricos do país.
Na província de Cabo Delgado, está planeada a continuidade dos trabalhos na Barragem de Muera, no distrito de Mueda, com a expectativa de que o estudo atinja 40% de execução. Em Nampula, o foco estará na conclusão do estudo de avaliação de impacto ambiental e social da Barragem de Macuje, no distrito de Rapale, além da continuidade dos estudos da Barragem de Saua-Saua. Em Maputo, um dos investimentos significativos será o início da construção do descarregador auxiliar da Barragem de Corumana, em Moamba, com uma execução física prevista de 20% para 2027, com um financiamento externo estimado em cerca de 665,6 milhões de meticais.
Na localidade de Matutuíne, os trabalhos relacionados à avaliação dos recursos hídricos subterrâneos em Salamanga deverão avançar. O governo também planeja atualizar a Carta Hidrogeológica Nacional, com a meta de atingir 70% de conclusão, reforçando assim a capacidade de gestão sustentável das reservas de água subterrânea do país. Além disso, na Bacia do Limpopo, a reabilitação dos diques de defesa, especialmente na seção sul de Chókwè, deverá continuar, com o objetivo de reabilitar 20 quilómetros de diques.
O ProÁguas, uma iniciativa essencial para o abastecimento de água e saneamento, deverá também ganhar maior impulso até 2027. A reforma institucional do setor deve gerar resultados mensuráveis, e a iniciativa presidencial de Terra Infra-estruturada deverá avançar para uma escala maior. O ministro destacou que a concretização dessas metas depende da articulação eficaz entre planificação, orçamento, execução e monitoria, ressaltando que a planificação para 2027 deve ser iniciada imediatamente.
Contexto
Moçambique é um país frequentemente afetado por fenómenos climáticos extremas, como secas e inundações, que têm um impacto devastador na agricultura, na segurança alimentar e no bem-estar das populações. O fenómeno El Niño, que pode intensificar a variabilidade climática, é uma preocupação constante para o governo e para a população. A agricultura é um dos pilares da economia moçambicana, empregando grande parte da população e contribuindo significativamente para o PIB. Portanto, a preparação e a resposta a eventos climáticos extremos são cruciais para garantir a segurança alimentar e a sobrevivência das comunidades.
O governo tem implementado várias estratégias para melhorar a gestão de recursos hídricos e promover a resiliência das comunidades. Estas iniciativas incluem parcerias com organizações internacionais e a mobilização de fundos para infraestruturas essenciais. A elaboração do plano de mitigação para o El Niño reflete a urgência e a necessidade de uma abordagem integrada para enfrentar os desafios climáticos e garantir o desenvolvimento sustentável do país.
Impacto
O plano de mitigação do governo terá um impacto significativo em várias áreas da vida dos cidadãos moçambicanos. A assistência alimentar de emergência prevista para mais de 340 mil pessoas poderá evitar a fome em comunidades vulneráveis, assegurando que as famílias tenham acesso a alimentos básicos durante períodos críticos. As intervenções na agricultura e pecuária não só visam proteger os meios de subsistência, mas também incentivar a adoção de práticas mais resilientes em face das mudanças climáticas.
Além disso, a melhoria do abastecimento de água e saneamento contribuirá para a saúde pública, reduzindo a incidência de doenças relacionadas à água e melhorando a qualidade de vida das comunidades. O reforço da alimentação escolar e assistência nutricional terá um efeito positivo na saúde e educação das crianças, garantindo que cresçam saudáveis e capazes de participar plenamente na sociedade.
A construção de infraestruturas resilientes também terá um impacto a longo prazo, proporcionando às comunidades a capacidade de resistir a futuros eventos climáticos extremos e melhorar a sua qualidade de vida.
O que se segue
O próximo passo para o governo é a implementação faseada do plano de mitigação, começando com ações imediatas para a resposta ao El Niño. A mobilização de recursos adicionais, tanto internos quanto externos, será fundamental para garantir o sucesso do plano. O governo deverá continuar a trabalhar em estreita colaboração com organizações não governamentais e parceiros internacionais para maximizar o impacto das intervenções.
A monitorização contínua das condições climáticas e o fortalecimento dos sistemas de alerta prévio serão cruciais para a eficácia da resposta. As comunidades também serão envolvidas no processo, sendo incentivadas a adotar práticas de conservação de água e gestão sustentável dos recursos naturais. A execução do plano será acompanhada de perto, com avaliações regulares para garantir que os objetivos estão a ser alcançados e que as necessidades da população estão a ser atendidas.
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