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Política

Hospital Central de Maputo Regista Queda de Furtos e Enfrenta Desafios de Corrupção

O HCM reporta uma redução de 79,4% nos furtos, mas enfrenta desafios de corrupção com cobranças ilícitas. Entenda os próximos passos.

domingo, 02 de agosto de 2026 às 11:00 9,2K
Hospital Central de Maputo Regista Queda de Furtos e Enfrenta Desafios de Corrupção

O Hospital Central de Maputo (HCM), a principal unidade de saúde do país, anunciou uma queda acentuada de 79,4% nos furtos de bens e consumíveis hospitalares ao longo dos últimos três meses. Esta informação foi partilhada durante uma reunião do Conselho Alargado do HCM, onde o Chefe do Departamento de Controlo Interno, Ângelo Punguane, apresentou o relatório de desempenho da instituição referente ao primeiro semestre do ano. A redução nos furtos resultou numa diminuição do prejuízo financeiro, que passou de 1.793.878,20 Meticais no primeiro trimestre para 365.320 Meticais, um resultado que reflete os esforços do hospital em combater este problema.

Apesar da redução significativa nos furtos, o HCM enfrenta ainda desafios relacionados com a corrupção, especialmente na forma de cobranças ilícitas feitas aos utentes. O Departamento de Cirurgia destaca-se como o que mais casos de cobranças ilegais regista, com valores que podem atingir até 80.000 Meticais por paciente. O Departamento de Medicina é o segundo mais afetado, com cobranças que chegam a 21.000 Meticais por utente. Já no Laboratório de Análises Clínicas, foram identificadas práticas que resultaram em cobranças não autorizadas de até 4.700 Meticais. Outros departamentos, como Ginecologia, Obstetrícia, Pediatria, Maternidade e Ortopedia, apresentam montantes inferiores, mas que ainda assim revelam a gravidade da situação.

Durante a reunião, foram discutidas ainda as alegações de desvio de receitas por parte de funcionários que utilizam contas bancárias pessoais para o recebimento de pagamentos que deveriam ser feitos nas contas oficiais do hospital. Esta prática compromete não só a saúde financeira do HCM, mas também a qualidade dos serviços prestados aos utentes. A Directora-Geral do HCM, Farida Urci, condenou estas ações e enfatizou a necessidade de intensificar os mecanismos de fiscalização e vigilância interna para evitar o desvio de bens, medicamentos e recursos financeiros.

Urci fez um apelo aos profissionais de saúde para que reforcem a comunicação com os pacientes e seus familiares, sublinhando a importância de que diagnósticos, tratamentos e procedimentos clínicos sejam explicados de forma clara e acessível. Além disso, a dirigente destacou a necessidade de rigor na elaboração de prescrições médicas e processos clínicos, garantindo que a informação seja legível e facilite a continuidade dos cuidados de saúde.

Contexto

Moçambique, um país da África Austral, enfrenta desafios significativos na área da saúde, incluindo a gestão de recursos e a corrupção. O HCM, como a maior unidade de saúde do país, é um reflexo das dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde moçambicano, que luta para fornecer cuidados adequados à população, mesmo diante das limitações financeiras e administrativas. A corrupção no sector da saúde é um problema recorrente que afeta a confiança dos cidadãos nas instituições e a eficácia dos serviços prestados.

Nos últimos anos, o governo moçambicano tem vindo a implementar várias medidas para combater a corrupção e melhorar a transparência nas instituições públicas. A introdução de mecanismos de fiscalização e a promoção da ética profissional são passos importantes, mas a luta contra a corrupção no sector da saúde ainda requer um compromisso contínuo e a participação activa de todos os actores envolvidos, incluindo profissionais de saúde e utentes.

Impacto

A significativa redução dos furtos no HCM é um sinal positivo, embora a persistência das cobranças ilegais e do desvio de receitas continue a gerar preocupações. Para os cidadãos, a melhoria na gestão dos recursos hospitalares pode traduzir-se em um aumento da confiança na qualidade dos serviços de saúde, o que é crucial, especialmente em um contexto onde a necessidade de cuidados médicos é cada vez mais premente.

As práticas de cobrança ilícita não apenas prejudicam os utentes, que se veem obrigados a pagar valores exorbitantes, mas também criam um ambiente de desconfiança e insatisfação em relação ao sistema de saúde. A transparência e a boa gestão dos recursos públicos são fundamentais para garantir que todos os cidadãos tenham acesso a cuidados de saúde dignos e de qualidade.

O que se segue

Com a redução dos furtos, o HCM pretende continuar a implementar medidas que reforcem a transparência e a boa gestão dos recursos. A Direcção do hospital já anunciou a intensificação das auditorias internas e a criação de um canal de denúncias para que utentes e funcionários possam reportar práticas ilegais de forma segura.

Além disso, a instituição planeia promover campanhas de sensibilização entre os profissionais de saúde, enfatizando a importância da ética e da responsabilidade no exercício das suas funções. O envolvimento da comunidade e dos utentes será crucial para garantir que as mudanças implementadas sejam sustentáveis e que o HCM possa continuar a melhorar os serviços prestados à população moçambicana.

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