Inclusão Financeira em Moçambique: Avanços e Desafios à Vista
O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, destaca o crescimento da inclusão financeira, mas alerta para riscos que podem afetar a economia.

O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, anunciou, no dia 29 de Agosto, que os níveis de inclusão financeira em Moçambique continuam a mostrar um progresso significativo. As declarações foram feitas durante a quarta sessão bimensal do Comité de Política Monetária (CPMO), onde Zandamela partilhou dados encorajadores sobre a estabilidade e resiliência do sistema financeiro nacional. A divulgação dos resultados do Relatório Anual sobre a Inclusão Financeira, publicado em Julho, enfatiza a trajetória positiva que este sector tem seguido, impulsionada pela digitalização dos serviços financeiros e pela expansão das Instituições de Moeda Electrónica (IME).
O relatório revela que, até 2025, a inclusão financeira manteve um crescimento robusto, com um aumento de 47% no número de pontos de acesso aos serviços financeiros entre Dezembro de 2024 e Maio de 2026. Este crescimento é caracterizado, principalmente, pelo aumento de 54% no número de agentes de moeda electrónica, refletindo uma crescente adesão aos serviços financeiros digitais por parte da população adulta. Zandamela sublinhou que o número de contas de moeda electrónica cresceu 18%, indicando uma utilização cada vez maior das plataformas digitais.
A interoperabilidade entre instituições financeiras, incluindo bancos e micro-bancos, tem sido fundamental para este aumento, conforme destacado pelo Governador. A implementação do sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como METIX, também contribui para esta dinâmica, permitindo que as transações financeiras sejam realizadas de forma imediata e gratuita. Desde a sua introdução em Março de 2026, o uso do METIX triplicou, com mais de 11 mil transferências realizadas diariamente.
Em termos de mercado cambial, Zandamela informou que há uma maior fluidez, sustentada pela robustez da indústria extractiva no país. No primeiro semestre de 2026, as compras de divisas pelos bancos comerciais aumentaram em 352 milhões de dólares, totalizando 4,24 mil milhões de dólares, enquanto as vendas de divisas atingiram 4,16 mil milhões de dólares, com o sector de combustíveis a absorver 50% dessas vendas. Essa movimentação no mercado cambial é um indicativo do fortalecimento das operações financeiras no país.
Contexto
Moçambique tem enfrentado, nos últimos anos, desafios significativos na sua economia, que incluem a necessidade de melhorar a inclusão financeira da sua população. A inclusão financeira é vista como um motor essencial para o desenvolvimento económico e social, uma vez que permite que mais cidadãos tenham acesso a serviços bancários, crédito e outros produtos financeiros. A digitalização, impulsionada pela tecnologia e pela expansão das IME, tem sido um pilar fundamental na promoção da inclusão financeira, especialmente em áreas rurais.
O Banco de Moçambique tem promovido políticas que incentivam a inovação no sector financeiro, ao mesmo tempo que se esforça para garantir a estabilidade económica. A proatividade na implementação de sistemas digitais de pagamento e na promoção da interoperabilidade entre instituições financeiras visa não só aumentar o acesso, mas também melhorar a eficiência do sistema financeiro nacional. Além disso, o país tem sido afectado por choques climáticos e crises económicas globais, que impactam a sua capacidade de crescimento e estabilidade financeira.
Impacto
As melhorias nos níveis de inclusão financeira têm um impacto significativo na vida dos cidadãos moçambicanos. Com o aumento do acesso a serviços financeiros digitais, mais pessoas estão a conseguir gerir melhor as suas economias, realizar transacções e ter acesso a crédito. Isso pode resultar em um aumento do empreendedorismo e da capacidade de investimento em pequenas e médias empresas, que são cruciais para o desenvolvimento económico do país.
No entanto, os riscos e incertezas mencionados por Zandamela, como o aumento dos preços dos combustíveis e as repercussões de choques climáticos, podem ameaçar esses avanços. A inflação continua a ser uma preocupação, especialmente com a volatilidade dos preços dos produtos energéticos e alimentares, o que pode afectar a capacidade de compra da população. A direcção da política monetária terá que ser ajustada com base na avaliação contínua desses riscos, o que pode influenciar as decisões de investimento e poupança dos cidadãos.
O que se segue
Os próximos passos para o Banco de Moçambique incluem a monitorização constante do progresso em relação à inclusão financeira, bem como a avaliação dos impactos das políticas implementadas. A continuidade da digitalização dos serviços financeiros será uma prioridade, assim como a manutenção do diálogo com as instituições financeiras para garantir que todos os cidadãos possam beneficiar das inovações disponíveis.
Além disso, o Banco de Moçambique deverá continuar a prestar atenção aos riscos inflacionários e às incertezas económicas tanto a nível nacional como internacional. A implementação de medidas que possam mitigar os efeitos de choques externos e internos será crucial para manter a estabilidade económica e assegurar que os avanços em inclusão financeira não sejam comprometidos. O Governador Rogério Zandamela, cuja liderança à frente do Banco de Moçambique termina em Agosto, deverá deixar um legado de progresso, mas também desafios a serem enfrentados pelos seus sucessores.
Comentários(0)
Registe-se para comentar.
Registar…
