INTIC Lança Campanha de Prevenção Contra Ransomware em Moçambique
O INTIC iniciou uma campanha para combater ransomware, alertando cidadãos e empresas a não pagarem resgates e a denunciarem estes ataques.

O Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) deu início, esta quarta-feira, a uma Campanha Nacional de Prevenção contra Ransomware, um tipo de software de extorsão que tem vindo a ameaçar a segurança digital em Moçambique. O lançamento da campanha ocorreu em Maputo, onde o Presidente do Conselho de Administração do INTIC, Lourino Chemane, destacou a importância da sensibilização e das boas práticas de segurança cibernética para mitigar os riscos associados a esses ataques.
Durante a cerimónia, Chemane revelou que os ataques de ransomware têm aumentado a uma taxa alarmante no país, com milhares de tentativas de infecção registadas anualmente. De acordo com dados do Centro Nacional de Resposta a Incidentes de Segurança Informática (CSIRT), entre Janeiro e Julho de 2023, foram detectadas 5.654 tentativas de infecção, evidenciando a gravidade da situação. O PCA do INTIC fez um apelo tanto a cidadãos como a empresas, instando-os a não cederem às pressões dos criminosos cibernéticos e a denunciarem as tentativas de ataque às autoridades competentes.
"Não paguem o resgate. Se cederem, estarão a alimentar esta prática criminosa. O melhor a fazer é denunciar", afirmou Chemane, sublinhando que a colaboração com as autoridades é crucial na luta contra este tipo de crime. O INTIC disponibiliza diversas ferramentas e canais de comunicação para que os cidadãos possam reportar incidentes, incluindo um site, e-mail, telefone e um formulário online.
Os principais alvos dos ataques ransomware em Moçambique incluem instituições financeiras, entidades do sector público e grandes empresas que operam infra-estruturas críticas como energia, água, gás e telecomunicações. Chemane alertou que um eventual sequestro desses sistemas pode levar as empresas a considerar o pagamento de resgates, o que, segundo ele, deve ser evitado a todo custo.
Para fortalecer a resposta a esta ameaça, o INTIC anunciou que irá colaborar com universidades para integrar conteúdos de cibersegurança nos currículos de formação, além de criar cursos de curta duração focados nesta área. Esta iniciativa visa preparar melhor os profissionais do futuro para lidar com os desafios da segurança cibernética.
Durante o evento, foram também entregues kits de sensibilização ao Banco de Moçambique, ao Conselho Nacional de Energia (CNELEC) e à Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). O material será distribuído a todas as entidades que operam infra-estruturas críticas, com o intuito de aumentar a consciência sobre a importância da segurança digital e as medidas a serem adotadas para prevenir ataques.
Contexto
A crescente digitalização em Moçambique, impulsionada pela expansão do acesso à Internet e pelo aumento do uso de tecnologias da informação, trouxe consigo uma série de desafios relacionados à segurança cibernética. O ransomware, uma das formas mais perniciosas de cibercrime, tem vindo a preocupar tanto o governo quanto o sector privado, dado o potencial de causar danos significativos a nível financeiro e operacional.
Nos últimos anos, têm sido reportados casos de empresas e instituições que sofreram prejuízos enormes devido a ataques cibernéticos, o que levou à necessidade de uma resposta robusta por parte do governo. A criação do CSIRT e a implementação de campanhas de sensibilização como a que agora se inicia pelo INTIC são passos importantes na luta contra as ameaças digitais.
Além disso, a colaboração entre instituições públicas e privadas é fundamental para garantir que as melhores práticas de segurança sejam adoptadas e que as entidades estejam preparadas para responder a incidentes de segurança. O aumento da formação em cibersegurança e a inclusão destes temas nas universidades são iniciativas que visam melhorar a preparação dos futuros profissionais para enfrentar a crescente ameaça de ataques cibernéticos.
Impacto
O impacto da campanha do INTIC poderá ser significativo tanto para cidadãos como para instituições. A sensibilização sobre a importância de não pagar resgates e denunciar ataques pode contribuir para uma redução no número de incidentes de ransomware, o que, por sua vez, pode proteger as infra-estruturas críticas do país.
Além disso, a formação em cibersegurança e a criação de cursos específicos podem levar a uma maior capacitação dos profissionais que trabalham nas áreas da tecnologia e segurança da informação, resultando em um ambiente digital mais seguro. O fortalecimento das capacidades locais para lidar com incidentes de segurança cibernética poderá também encorajar mais empresas a investirem em segurança, sabendo que há uma rede de apoio e recursos disponíveis para enfrentar potenciais ameaças.
O que se segue
Com o lançamento da campanha, o INTIC promete monitorar os resultados e avaliar o impacto da iniciativa. O sucesso será medido pelo alcance da campanha e pela diminuição das tentativas de infecção por ransomware. O CSIRT Nacional será crucial nesta avaliação, pois terá acesso a dados sobre o número de incidentes reportados e a eficácia das respostas dadas.
Além disso, a colaboração com as universidades será um passo contínuo. O INTIC espera que, ao longo dos próximos meses, sejam implementados programas de formação e sensibilização que envolvam não apenas estudantes, mas também profissionais em activo que buscam actualizar os seus conhecimentos em cibersegurança.
A continuidade da disseminação de kits de sensibilização às entidades que operam infra-estruturas críticas também será um foco importante, garantindo que mais organizações estejam cientes dos riscos e das melhores práticas a seguir. A luta contra ransomware e outros crimes cibernéticos em Moçambique está apenas a começar, mas com iniciativas como esta, o país dá passos importantes na construção de um ambiente digital mais seguro.
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