quarta-feira, 02 de setembro de 2026·--:--:--
|
Política

José Sulemane Advocacia por Igualdade de Condições entre Megaprojectos e PME em Moçambique

Economista José Sulemane propõe que PME recebam as mesmas facilidades que megaprojectos para impulsionar a economia nacional.

quarta-feira, 02 de setembro de 2026 às 21:00 13K
José Sulemane Advocacia por Igualdade de Condições entre Megaprojectos e PME em Moçambique

O economista moçambicano José Sulemane propôs, recentemente, que as Pequenas e Médias Empresas (PME) em Moçambique beneficiem das mesmas facilidades que os megaprojectos. Durante uma aula aberta na Universidade Pedagógica, em Maputo, Sulemane argumentou que a mobilização institucional, legal e política que atrai grandes investimentos deve ser igualmente aplicada às PME, uma vez que estas têm um potencial significativo para gerar emprego e dinamizar a economia local.

Sulemane, que já ocupou funções de destaque no governo e no Fundo Monetário Internacional (FMI), salientou a urgência de se criar uma infraestrutura legal que facilite a abertura e o funcionamento das PME. Ele afirmou que, apesar da relevância dos megaprojectos, a sua capacidade de empregar em larga escala é limitada quando comparada com o potencial das PME. "É fundamental que criemos condições proporcionais para o surgimento e crescimento de pequenas e médias empresas, assim como fazemos com os megaprojectos, pois são estas que, em última análise, irão empregar um número considerável de pessoas no nosso país", enfatizou.

O economista também destacou a necessidade de uma abordagem estratégica que una as várias políticas sectoriais, que, segundo ele, estão actualmente desconexas. A falta de uma estratégia integrada de desenvolvimento pode levar a ineficiências que comprometem o crescimento económico.

Contexto

Moçambique, um país rico em recursos naturais e com um potencial de crescimento significativo, enfrenta desafios estruturais que dificultam o desenvolvimento das PME. O país tem visto a entrada de grandes investimentos, especialmente no sector dos megaprojectos, como a exploração de gás natural em Cabo Delgado e a indústria mineral. No entanto, a contribuição das PME para a economia nacional continua aquém do esperado, representando apenas uma fração do total de empregos criados. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), as PME têm um papel crucial no aumento da resiliência económica, especialmente em tempos de crise, como a que se vive actualmente devido a choques globais.

A África Subsahariana, em geral, precisa de criar cerca de 20 milhões de empregos anuais para acompanhar o crescimento populacional. As PME, por serem mais adaptáveis e menos dependentes de grandes investimentos, podem ser uma solução viável para este desafio. Contudo, a ausência de um ambiente favorável para o seu desenvolvimento tem limitado a sua capacidade de crescimento e geração de emprego.

Impacto

A promoção de condições equitativas para PME e megaprojectos pode ter um impacto considerável na economia moçambicana. Se bem implementadas, as medidas sugeridas por Sulemane podem resultar em um aumento do número de empresas em operação, bem como na criação de empregos, o que é crucial num país onde a taxa de desemprego é elevada. As PME têm o potencial de estimular a economia local, contribuindo para a diversificação e resiliência económica.

Além disso, um ambiente de negócios mais favorável pode incentivar o empreendedorismo, levando a um aumento no número de iniciativas locais e, consequentemente, a uma maior inclusão social. O fortalecimento das PME pode também contribuir para a redução das disparidades regionais, à medida que mais empresas surgem em áreas subdesenvolvidas.

O que se segue

Para que as recomendações de José Sulemane se concretizem, será necessário um compromisso claro por parte do governo e das instituições envolvidas no desenvolvimento económico. Espera-se que haja um diálogo contínuo entre o sector público e privado para a formulação de políticas que efectivamente atendam às necessidades das PME.

Além disso, a implementação de reformas estruturais, como a simplificação de processos burocráticos e a criação de incentivos fiscais, será crucial para fomentar um ambiente de negócios mais dinâmico.

Por fim, a criação de uma estratégia de desenvolvimento que integre as diferentes políticas sectoriais é fundamental para garantir que o crescimento económico se traduza em melhorias reais nas condições de vida da população. O governo deverá também considerar parcerias internacionais e locais para fortalecer a capacidade das PME e garantir que estas possam competir em pé de igualdade com os megaprojectos no mercado global.

Partilhar

Comentários(0)

Registe-se para comentar.

Registar