Moçambique Incentiva Investimentos Produtivos de Empresas Vietnamitas
Moçambique busca intensificar investimentos vietnamitas em setores produtivos, promovendo parcerias e transferência de tecnologia.

O governo de Moçambique, por intermédio do Ministro do Planeamento e Desenvolvimento, Salim Valá, manifestou a intenção de aprofundar a cooperação económica com o Vietname, promovendo uma transição do comércio tradicional para investimentos produtivos. Esta posição foi expressa durante a cerimónia de celebração do 81º aniversário do Dia Nacional da República Socialista do Vietname, realizada em Maputo no dia 27 de agosto. Valá enfatizou que a colaboração entre os dois países deve evoluir para um modelo que inclua parcerias produtivas, transferência de tecnologia e formação especializada.
O Ministro identificou várias áreas com potencial para novos investimentos e parcerias, destacando a agroindústria, energia, tecnologia da informação, manufatura, logística e serviços financeiros digitais. “Queremos ver novas e promissoras parcerias nas áreas de agroindústria, pescas e aquacultura, energia, construção, transporte e logística, tecnologia da informação, serviços financeiros digitais, turismo e formação técnica e profissional”, disse Salim Valá.
Na área da agricultura, Moçambique pretende aproveitar a experiência do Vietname para aumentar a produtividade em setores como a produção de sementes, irrigação, mecanização, armazenamento e processamento agrícola. O país, que importa arroz de várias fontes, incluindo o Vietname, acredita ter as condições necessárias para aumentar a produção doméstica. O ministro argumentou que é crucial transformar parte da relação comercial existente em parcerias de investimento produtivas em Moçambique. “O desafio comum é transformar parte dessa relação comercial em uma parceria de investimento produtivo em Moçambique”, declarou Valá.
Adicionalmente, o governo moçambicano visa aumentar o processamento local na cadeia de valor do caju, reduzindo a dependência das exportações de castanha crua. “A nossa ambição é ir além da exportação de castanha de caju crua. Pretendemos promover um maior processamento local, melhorar a qualidade, desenvolver capacidades industriais e criar produtos com maior valor agregado”, explicou o ministro.
Em termos de comércio bilateral, os números revelam que em 2024, o intercâmbio entre Moçambique e Vietname alcançou aproximadamente 458,6 milhões de dólares. Desse total, Moçambique exportou cerca de 350,7 milhões de dólares e importou 107,9 milhões de dólares, resultando num superávit comercial de 242,9 milhões de dólares. Contudo, o governo considera que a atual estrutura comercial é insuficientemente diversificada, uma vez que mais de 90% das exportações moçambicanas para o Vietname concentraram-se em carvão mineral e castanhas de caju, enquanto o arroz dominou as importações.
Salim Valá defendeu que “o próximo ciclo da parceria bilateral” deve transformar os fluxos comerciais existentes em “maior valor agregado, mais investimento, maior participação de pequenas e médias empresas” e novas conexões entre os sectores privados dos dois países. O ministro citou a presença da Viettel — que opera em Moçambique através da Movitel — como um exemplo do potencial do capital vietnamita em Moçambique. A empresa já investiu mais de 600 milhões de dólares, contribuindo para a expansão das telecomunicações, inclusão digital e criação de empregos.
“Portanto, convidamos as empresas vietnamitas a conhecer melhor as oportunidades disponíveis em Moçambique e a estabelecer parcerias duradouras com empresas moçambicanas”, afirmou Valá. O governo também deseja que os empreendedores moçambicanos vejam o Vietname não apenas como um destino para matérias-primas, mas como um mercado para bens processados, uma fonte de tecnologia e uma porta de entrada para cadeias de valor asiáticas.
Contexto
Moçambique é um país situado na costa sudeste de África, rico em recursos naturais e com um potencial significativo para o desenvolvimento de diversos sectores económicos. Com uma economia em crescimento, o país tem vindo a atrair investidores estrangeiros, especialmente nas áreas de energia, agricultura e infraestrutura. A relação com o Vietname, um dos países em desenvolvimento mais dinâmicos da Ásia, oferece uma oportunidade estratégica para Moçambique diversificar suas parcerias comerciais e aumentar o investimento em setores produtivos que podem gerar emprego e desenvolvimento sustentável.
Historicamente, o Vietname tem sido um parceiro comercial importante para Moçambique, mas as trocas têm sido predominantemente focadas em produtos básicos. A mudança de foco para investimentos produtivos poderá não apenas fortalecer os laços económicos, mas também promover a transferência de conhecimento e tecnologia, que são cruciais para o desenvolvimento de capacidades locais.
Impacto
A intensificação dos investimentos vietnamitas em Moçambique pode ter consequências significativas para a economia nacional. Em primeiro lugar, ao estimular a agroindústria e outros sectores produtivos, espera-se que haja um aumento na criação de empregos e uma melhoria na qualidade de vida das comunidades locais. A implementação de técnicas agrícolas modernas e a introdução de novas tecnologias podem elevar a produtividade e a eficiência, tornando Moçambique mais competitivo no mercado regional e internacional.
Além disso, a diversificação da base de exportação é vital para a estabilidade económica do país. Ao reduzir a dependência de poucos produtos, como carvão e caju, e expandir para uma gama mais ampla de produtos processados, Moçambique poderá melhorar sua resiliência económica. A promoção de parcerias entre pequenas e médias empresas moçambicanas e vietnamitas poderá também facilitar o acesso a novos mercados e fortalecer a capacidade local de produção e inovação.
O que se segue
Os próximos passos na relação entre Moçambique e Vietname incluem a criação de um ambiente propício para atrair investimentos que vão além do comércio tradicional. O governo moçambicano deverá trabalhar em estreita colaboração com as autoridades vietnamitas para identificar áreas específicas onde os dois países podem cooperar eficazmente. Isso pode incluir a organização de feiras de negócios, seminários e workshops que promovam as oportunidades de investimento em Moçambique.
Além disso, a implementação de políticas que incentivem a participação de pequenas e médias empresas é fundamental para o sucesso desta nova abordagem. O fortalecimento das capacidades locais através de formação e transferência de tecnologia será essencial para garantir que os benefícios dos investimentos sejam amplamente distribuídos entre a população moçambicana. A expectativa é que, ao final deste processo, Moçambique não apenas aumente sua atratividade como destino de investimento, mas também transforme sua economia de maneira que beneficie diretamente seus cidadãos.
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