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Política

Moçambique Propõe Transformar Relações da CPLP em Oportunidades de Negócio

Moçambique propõe à CPLP transformar relações culturais em oportunidades de negócios e emprego para jovens e pequenos empreendedores.

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Moçambique Propõe Transformar Relações da CPLP em Oportunidades de Negócio

Moçambique instou os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) a transformar a sua proximidade cultural e histórica em oportunidades concretas de negócios e emprego. O apelo foi feito pelo Ministro da Economia, Basílio Muhate, durante a abertura do IV Diálogo dos Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP, realizado em Maputo no dia 3 de Outubro.

Na sua intervenção, o ministro destacou a importância da língua portuguesa como uma ferramenta crucial para conectar empresas, conhecimento e capital através de diferentes continentes. "A nossa unidade só será verdadeiramente económica quando uma boa ideia puder atravessar fronteiras", afirmou Muhate, sugerindo que empreendedores de Maputo devem ter acesso a oportunidades em mercados como Luanda, Cidade da Praia, São Tomé, Bissau, Díli, Rio de Janeiro e Lisboa.

Muhate enfatizou que a CPLP deve ser vista como uma plataforma complementar à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), e não como uma alternativa. O ministro sublinhou o papel vital das micro, pequenas e médias empresas (MPME), que considera a "espinha dorsal" das economias dos países membros da CPLP. "Pequenas podem ser as empresas, mas grande é o seu impacto nas nossas economias", disse, defendendo um aumento do apoio a este sector para a criação de emprego e inovação.

Além disso, o Ministro da Economia mencionou a necessidade de reforçar o quadro jurídico e institucional das MPME em Moçambique, bem como a importância da simplificação e digitalização das relações entre o Estado e o sector privado. Iniciativas como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, o Pro-Jovem, o Pró-Mulher e o Fundo de Garantia Mutuária foram citadas como instrumentos chave para transformar ideias em negócios sustentáveis.

Ele também enfatizou que a formalização dos negócios deveria ser acompanhada de medidas que garantam a inclusão económica, permitindo que pequenos operadores tenham acesso a financiamento, tecnologia e mercados. "Formalizar não é apenas reajustar. Deve significar inclusão", reiterou.

A digitalização e a resiliência às mudanças climáticas foram destacadas como prioridades, com o ministro a apontar para a necessidade de promover competências, conectividade, pagamentos digitais, comércio electrónico e modelos de negócio que consigam resistir aos impactos climáticos.

A ideia de Moçambique foi apoiada por Lage do Sebrae, representante do sector empresarial da CPLP, que comentou sobre a prioridade do Governo moçambicano em fomentar pequenos negócios e empreendedorismo, especialmente entre os jovens e mulheres. Ele assinalou que a CPLP, com cerca de 300 milhões de habitantes, possui um potencial económico significativo, incluindo recursos minerais e energéticos, que podem ser melhor aproveitados através da cooperação mútua entre os Estados-membros.

Lage do Sebrae também fez menção às relações da CPLP com blocos económicos como o Mercosul, a União Europeia e comunidades africanas, afirmando que essa diversidade fortalece a organização em um cenário global repleto de desafios. O representante brasileiro reiterou a disposição de aprofundar a cooperação com Moçambique, oferecendo a experiência do Sebrae em políticas públicas e programas de apoio aos pequenos negócios.

O IV Diálogo dos Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP, que faz parte das celebrações dos 30 anos da organização, reúne representantes dos Estados-membros, empresários, empreendedores e parceiros de desenvolvimento, com o objetivo de contribuir para uma nova fase de cooperação económica. As discussões centraram-se na importância de um ecossistema que favoreça o crescimento das MPME e na criação de um ambiente propício ao empreendedorismo. Os debates também abordaram a necessidade de inovação e adaptação às novas exigências do mercado global, especialmente em tempos de desafios climáticos e tecnológicos.

O evento não só promoveu a troca de experiências entre os países da CPLP, mas também reforçou a ideia de que a colaboração e a união em torno da língua e cultura comuns podem resultar em benefícios tangíveis para todos os membros. O compromisso de trabalhar juntos para potenciar as MPME e criar um ambiente de negócios favorável foi um dos pontos altos das discussões, com muitos participantes a expressarem a necessidade de políticas públicas que apoiem a inclusão e o crescimento económico sustentável.

Assim, Moçambique, ao desafiar a CPLP a transformar as relações culturais em oportunidades económicas, posiciona-se como um actor proactivo na busca de soluções que beneficiem não só o seu próprio crescimento, mas também o desenvolvimento conjunto dos países lusófonos. O caminho a seguir envolve o fortalecimento das relações comerciais e a busca por novas parcerias que possam alavancar o potencial económico da comunidade, criando um futuro mais próspero para todos os seus membros.

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