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Economia

Parceria Estratégica para Promover Emprego Juvenil em Moçambique

Memorando assinado em Maputo para promover o emprego juvenil em Moçambique.

quinta-feira, 23 de julho de 2026 às 18:46 15K
Parceria Estratégica para Promover Emprego Juvenil em Moçambique

Na quinta-feira, 23 de julho, a Associação de Pequenas e Médias Empresas (APME), o Instituto Nacional de Emprego (INEP) e a Rede Global de Negócios da África (GBNA) formalizaram um memorando de entendimento em Maputo, com o objetivo de potenciar o emprego e o empreendedorismo entre os jovens. Este acordo foi assinado durante a primeira edição da Cimeira de Investimento Juvenil 2026, que visa criar sinergias entre as três instituições para facilitar o acesso a informações sobre oportunidades de trabalho e promover a ligação entre jovens profissionais qualificados e o setor privado.

A cimeira, que reúne representantes de várias entidades e organizações, é uma resposta a um problema persistente em Moçambique: o elevado índice de desemprego juvenil, que, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), atinge cerca de 50% entre os jovens com idades entre 15 e 24 anos. Este cenário é agravado pela falta de formação adequada e pela dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, que muitas vezes se revela como um obstáculo intransponível para a juventude moçambicana.

Pedro Silva, presidente da APME, destacou que um dos principais focos da iniciativa é mitigar as barreiras que os jovens enfrentam ao tentar acessar informações sobre o mercado de trabalho. Ele ressaltou que a visibilidade das oportunidades é crucial para que esses jovens possam aproveitar as chances disponíveis. "Com esta parceria, esperamos aumentar a exposição das oportunidades e da força de trabalho qualificada que pode atender às necessidades das empresas", afirmou Silva, sublinhando a importância de criar uma ponte entre as competências dos jovens e as exigências do setor empresarial.

O memorando também visa facilitar o acesso das empresas aos currículos dos jovens qualificados, promovendo a sua integração nas cadeias de valor. Segundo Silva, a colaboração entre as instituições envolvidas pode resultar em uma rede eficaz que conecte jovens à procura de emprego e empresas que necessitam de mão de obra qualificada. O presidente da APME expressou otimismo em relação aos resultados a curto prazo, acreditando que essa colaboração pode ajudar os profissionais desempregados a encontrar oportunidades de trabalho.

Durante a cimeira, o Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, enfatizou a necessidade do setor privado assumir um papel mais ativo na criação de oportunidades para os jovens, investindo em formação profissional, empreendedorismo e acesso a financiamento. Ele observou que, embora a juventude moçambicana tenha potencial para impulsionar o crescimento económico, ainda enfrenta desafios significativos relacionados a capital e acesso ao mercado. O ministro afirmou que este memorando representa um passo importante para unir o Estado, o setor privado e parceiros de desenvolvimento na implementação de soluções concretas para o emprego juvenil. "Queremos que esta cimeira resulte em contratos e parcerias efetivas, não apenas em aplausos", finalizou Manasse, reforçando a urgência de ações práticas que possam transformar a realidade dos jovens em Moçambique.

Contexto

O desemprego juvenil é um dos principais desafios enfrentados por Moçambique, um país que, segundo dados do Banco Mundial, apresenta uma população jovem superior a 60% do total. A falta de oportunidades de emprego e a escassez de programas adequados de formação profissional têm contribuído para a frustração e a desmotivação entre os jovens, que muitas vezes veem o seu futuro comprometido. Além disso, a pandemia da COVID-19 exacerbou a situação, resultando em uma perda significativa de empregos e oportunidades de negócios, especialmente nas áreas mais afetadas pela crise sanitária e económica.

O governo moçambicano tem implementado diversas iniciativas para combater esta problemática, incluindo programas de formação e capacitação, mas a colaboração com o setor privado é essencial para garantir a eficácia e a sustentabilidade das soluções. O memorando assinado durante a Cimeira de Investimento Juvenil 2026 é uma tentativa de consolidar essas parcerias e criar um ambiente propício para o desenvolvimento de políticas que beneficiem a juventude.

Impacto

A assinatura deste memorando de entendimento entre a APME, o INEP e a GBNA pode ter um impacto significativo no emprego juvenil em Moçambique. Ao facilitar o acesso a informações sobre oportunidades de trabalho e promover a integração dos jovens nas cadeias de valor, espera-se que a taxa de desemprego juvenil comece a diminuir. A iniciativa também pode incentivar outras organizações a se envolverem na criação de programas de formação e colocação profissional, contribuindo para um ecossistema mais robusto que suporte o crescimento da economia e a inclusão social.

Os jovens, que representam uma força de trabalho potencialmente poderosa, podem ser capacitados para atender às necessidades do mercado, resultando em um aumento da produtividade e inovação nas empresas. Além disso, a iniciativa pode estimular o empreendedorismo, oferecendo aos jovens as ferramentas e o conhecimento necessários para iniciar os seus próprios negócios.

O que se segue

Os próximos passos incluem a implementação de programas específicos que surgirão a partir do memorando assinado. As três instituições terão que trabalhar em conjunto para desenvolver estratégias eficazes que permitam a mobilização de recursos, a criação de oportunidades de formação e o fortalecimento da rede de contactos entre jovens e empresas. O acompanhamento e a avaliação dos resultados da parceria serão fundamentais para garantir que os objetivos traçados sejam alcançados e que a juventude moçambicana possa beneficiar de forma tangível das oportunidades criadas.

Além disso, espera-se que outras entidades e parceiros de desenvolvimento se juntem a esta iniciativa, ampliando o alcance e o impacto das ações destinadas ao emprego juvenil. A cimeira, portanto, não deve ser vista apenas como um evento pontual, mas sim como o início de um movimento contínuo em prol da promoção de um futuro mais promissor para os jovens de Moçambique.

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