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Sociedade

Parteiras Tradicionais em Nampula: Um Desafio à Saúde Materna

Parteiras tradicionais em Nampula são acusadas de não referir grávidas, levantando preocupações sobre a saúde materna na região.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026 às 22:00 4,6K
Parteiras Tradicionais em Nampula: Um Desafio à Saúde Materna

As parteiras tradicionais no distrito de Nampula, especificamente na localidade de Anchilo, estão a ser alvo de críticas por não referirem mulheres grávidas às unidades sanitárias, o que compromete a saúde materna e infantil. Esta situação foi destacada durante uma visita do governador da província, Eduardo Abdula, ao Centro de Saúde de Anchilo, onde foi discutido o papel destas profissionais na assistência ao parto.

De acordo com Laurinda Muquelela, responsável pela sala de parto da maternidade do Centro de Saúde de Anchilo, as parteiras tradicionais, que foram formadas pelo sector da saúde, têm o dever de encaminhar as grávidas para os serviços de saúde, visando garantir partos seguros. Contudo, muitas optam por realizar os partos nas comunidades, um comportamento que pode ser influenciado por questões culturais e pela distância das unidades sanitárias.

Durante a visita, o governador Abdula expressou a preocupação com a situação, questionando se a aversão ao encaminhamento das parturientes poderia estar relacionada com a qualidade do atendimento no Centro de Saúde de Anchilo. Muquelela refutou essa hipótese, afirmando que a maioria das mulheres dos bairros adjacentes ainda procura a unidade para partos, o que indica que o problema pode ser mais complexo e enraizado em tradições culturais locais.

O Centro de Saúde de Anchilo, que realiza em média cinco partos por dia, enfrenta o desafio de aumentar a taxa de partos realizados em ambiente hospitalar, um objetivo que é fundamental para a promoção da saúde materna. A prática de partos em casa, muitas vezes assistidos por parteiras tradicionais, pode aumentar os riscos para as mães e os recém-nascidos, especialmente em situações de complicações durante o parto.

Contexto

A saúde materna em Moçambique é uma preocupação significativa, com a taxa de mortalidade materna ainda a ser elevada em várias regiões do país. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país enfrenta um desafio contínuo na melhoria do acesso aos serviços de saúde, especialmente em áreas rurais. A formação de parteiras tradicionais é uma estratégia adoptada para melhorar a assistência ao parto, mas a sua eficácia depende da colaboração com as instituições de saúde e da mudança de mentalidades dentro das comunidades.

Em muitos casos, as parteiras tradicionais são respeitadas e consideradas figuras de autoridade nas comunidades, o que lhes confere um papel crucial na saúde reprodutiva. No entanto, a resistência em referir as grávidas pode advir de um forte apego a práticas culturais que favorecem o parto em casa, bem como a desconfiança nos serviços de saúde. Para abordar essas questões, é essencial promover uma comunicação eficaz entre as parteiras e os profissionais de saúde, bem como envolver as comunidades em discussões sobre os benefícios de partos assistidos em unidades sanitárias.

Impacto

A recusa das parteiras tradicionais em referir grávidas para as unidades de saúde pode ter consequências diretas na saúde das mulheres e das crianças em Nampula. O parto assistido em casa pode resultar em taxas mais altas de complicações, aumentando o risco de mortalidade materna e neonatal. Além disso, a falta de acompanhamento médico adequado pode levar a problemas de saúde a longo prazo para as mães e os seus bebés.

A situação também pode impactar o sistema de saúde local, que pode ver recursos e esforços dispersos devido à prática de partos não institucionalizados. Se as mulheres continuarem a optar por partos em casa, isso poderá resultar em custos elevados para o sistema de saúde, em termos de tratamento de complicações que poderiam ser evitadas com um parto assistido por profissionais qualificados.

O que se segue

Como resposta a esta situação, o governador de Nampula, Eduardo Abdula, pediu à Direcção e aos serviços provinciais de saúde que investiguem a situação em Anchilo. Um relatório deverá ser apresentado num prazo de sete dias, com o intuito de apurar as causas por detrás da preferência das mulheres por parteiras tradicionais e sugerir soluções viáveis. Esta investigação pode incluir a avaliação da qualidade do atendimento nas unidades de saúde, bem como a realização de campanhas de sensibilização junto das comunidades sobre a importância do parto seguro e os riscos associados ao parto em casa.

Além disso, há a expectativa de que as autoridades de saúde promovam um diálogo regular com as parteiras tradicionais, para reforçar a sua formação e actualizá-las sobre as melhores práticas em saúde materna, garantindo que elas se sintam parte integrante do sistema de saúde. O fortalecimento da colaboração entre parteiras e profissionais de saúde é essencial para a melhoria dos índices de saúde materna no distrito de Nampula e em todo o país.

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