Protestos em Durban: Movimento March and March exige medidas contra imigração ilegal
Movimento March and March exige ação contra imigração ilegal em Durban, pressionando líderes africanos a resolverem causas da migração.

Um grupo de activistas liderado pelo movimento March and March organizou protestos nas ruas de Durban, na África do Sul, no dia 17 de agosto de 2026, em resposta ao aumento da imigração ilegal no país. Os manifestantes, que se juntaram para levar as suas preocupações aos líderes regionais que se reuniram para a 46ª Cimeira Ordinária da SADC, expressaram a sua insatisfação com a resposta do governo sul-africano, em particular à declaração feita pelo presidente Cyril Ramaphosa sobre a questão da imigração.
Embora os organizadores esperassem que cerca de 3.000 pessoas se juntassem à marcha, apenas cerca de 200 compareceram, mas isso não desmotivou os participantes. A líder do movimento, Jacinta Ngobese-Zuma, enfatizou a necessidade de os líderes da SADC confrontarem a crise migratória de forma séria, afirmando que a situação requer uma abordagem mais profunda que não deve ser rotulada como xenofobia. "O governo precisa ter uma discussão adequada, abordando a questão pelo que realmente é", defendeu Ngobese-Zuma. "A vergonha não deve ser sentida por nós, mas sim pelos líderes dos países cujos cidadãos estão a procurar oportunidades em outras nações. Eles precisam questionar por que não estão a criar condições para que as suas populações permaneçam em casa."
Durante a marcha, os manifestantes exigiram que a questão da imigração fosse priorizada nas discussões da cimeira, instando os líderes africanos a melhorarem as condições de vida nos seus países como forma de evitar a migração em massa. A activista mencionou ainda que, desde o início das manifestações em junho, cerca de 200.000 estrangeiros indocumentados foram deportados, embora considerasse que esse número fosse insuficiente. Ngobese-Zuma prometeu que as protestas continuariam até que o governo agisse de forma mais decisiva contra a imigração ilegal.
Enquanto os líderes regionais se reuniam no Centro Internacional de Convenções (ICC) em Durban, a pressão aumentava do lado de fora com pedidos insistentes para que o governo sul-africano implementasse medidas rigorosas para lidar com a imigração indocumentada. A activista criticou a postura do presidente Ramaphosa, que se disse envergonhado pela forma como os africanos são tratados na África do Sul. Ngobese-Zuma argumentou que este tipo de declaração não reflete a realidade das preocupações dos cidadãos sul-africanos, que se sentem ameaçados pela presença de imigrantes sem documentos.
A líder do movimento destacou a importância de aprender com outros grupos, como o AfriForum, que têm conseguido mobilizar recursos e apoio legal para os seus membros. Em resposta a essa necessidade, Ngobese-Zuma anunciou a criação do South Africa First Forum, uma entidade que visa oferecer suporte jurídico aos sul-africanos. "Queremos construir um modelo que beneficie os sul-africanos, inspirando-nos em iniciativas que têm sido bem-sucedidas em outras comunidades", afirmou.
A polícia provincial, representada pelo Comissário Provincial Actuante Phumelele Makhoba, e funcionários do gabinete do Primeiro-Ministro receberam um memorando dos manifestantes durante os protestos, sinalizando a disposição das autoridades para ouvir as reivindicações dos cidadãos.
Contexto
A imigração em massa continua a ser um tema controverso na África do Sul, um país que tem enfrentado desafios económicos significativos, incluindo altas taxas de desemprego e desigualdade social. Com uma população diversificada, a nação tem sido um destino preferencial para muitos africanos em busca de melhores oportunidades de vida. No entanto, a crescente frustração entre os sul-africanos em relação à imigração ilegal tem levado a um aumento das tensões sociais e a um aumento das manifestações contra a presença de imigrantes indocumentados.
Os líderes da SADC, que inclui países como Angola, Moçambique, Tanzânia e Zâmbia, têm sido criticados por não conseguirem abordar as causas profundas que levam à migração massiva dentro do continente. As questões económicas, políticas e sociais que afligem muitos países africanos continuam a impulsionar cidadãos a procurar refúgio em nações vizinhas, criando um ciclo de migração que desestabiliza as comunidades e gera conflitos.
Impacto
As manifestações lideradas pelo movimento March and March refletem um descontentamento crescente entre os sul-africanos que sentem que a imigração descontrolada está a colocar pressão sobre os recursos económicos e sociais do país. Este movimento pode ter repercussões significativas nas políticas de imigração da África do Sul, levando a um endurecimento das normas e procedimentos de controle de fronteiras e imigração.
Além disso, a pressão sobre o governo para agir pode resultar em um aumento das deportações de imigrantes indocumentados, o que poderia agravar ainda mais as tensões sociais e a percepção de xenofobia. A forma como o governo sul-africano responde a estas manifestações poderá influenciar a estabilidade política no país e a sua relação com outros Estados da região, especialmente em um contexto onde a solidariedade africana é frequentemente enfatizada.
O que se segue
Com o movimento March and March a intensificar as suas acções, é provável que os protestos continuem até que medidas mais rigorosas sejam implementadas em relação à imigração indocumentada. A activista Jacinta Ngobese-Zuma anunciou que se reunirá com o AfriForum para discutir estratégias que possam ser adoptadas para mobilizar apoio e recursos para a causa.
A data de 30 de setembro foi estabelecida como um prazo para a deportação de todos os imigrantes indocumentados, o que coloca uma pressão significativa sobre o governo sul-africano. A resposta das autoridades às exigências dos manifestantes será observada de perto, uma vez que pode determinar não apenas a continuidade das manifestações, mas também o futuro da política de imigração na África do Sul e a relação do país com os seus vizinhos africanos.
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