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Economia

South32 Regista Custos Excepcionais de €104 Milhões Devido à Paragem da Mozal

South32 reporta custos excepcionais devido à paragem da Mozal, impactando produção e economia local em Moçambique.

sábado, 25 de julho de 2026 às 09:28 17K
South32 Regista Custos Excepcionais de €104 Milhões Devido à Paragem da Mozal

A empresa australiana South32 anunciou que registou custos excepcionais de €104 milhões resultantes da paragem da fábrica de alumínio Mozal, a maior instalação industrial em Moçambique. Durante o ano fiscal de 2026, que terminou a 30 de Junho, a produção da fábrica caiu 30%, enquanto as vendas diminuíram 22%, após a suspensão das operações em Março. De acordo com o relatório trimestral da empresa, as despesas incluem €28 milhões em compensações aos trabalhadores e custos de rescisão de contratos. Além disso, €76 milhões referem-se a perdas contabilísticas ligadas a matérias-primas, consumíveis e estoques, uma vez que a fábrica iniciou um regime de cuidados e manutenção a 15 de Março.

Antes da suspensão, a Mozal empregava mais de 4.000 pessoas, direta e indiretamente. Entre Abril e Junho, o primeiro trimestre completo após a paragem, a fábrica não produziu alumínio, enquanto a South32 vendeu cerca de 46.000 toneladas retiradas dos estoques existentes. A suspensão das operações seguiu-se a meses de negociações sem sucesso sobre as tarifas de eletricidade necessárias para manter a fábrica a funcionar. A South32 considerou a tarifa proposta como economicamente insustentável, indicando que não seria viável garantir energia a um custo compatível com a continuidade das operações.

O ex-CEO Graham Kerr, num encontro com investidores em Março, revelou que a única proposta formal apresentada estava próxima dos US$100 por megawatt-hora, enquanto a empresa avaliava um máximo de aproximadamente US$51 por megawatt-hora como viável. A eletricidade representa cerca de um terço dos custos operacionais da Mozal. A fábrica exige cerca de 950 megawatts para operar continuamente, energia fornecida pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa através da rede da Eskom, cuja concessão expirou em Março. As condições de seca na albufeira de Cahora Bassa agravaram ainda mais as limitações de fornecimento.

Embora a South32 tenha reconhecido a possibilidade de retomar a produção caso as condições energéticas melhorem, a empresa anunciou a 1 de Julho a venda de parte dos seus ativos globais de alumínio para o grupo norte-americano Alcoa Corporation, numa transação avaliada em até €4,8 bilhões, sem incluir a Mozal. A fábrica permanece sob o controlo da South32, que está a avaliar várias alternativas para o futuro da instalação. Simultaneamente, a Corporação de Desenvolvimento Industrial da África do Sul, que detém 32,48% da Mozal, contratou consultores independentes para avaliar a aquisição da participação maioritária da South32 e explorar soluções para retomar a produção sustentada por um fornecimento energético viável.

Contexto

A Mozal, localizada em Maputo, é uma das maiores fábricas de alumínio da África e desempenha um papel crucial na economia moçambicana. A sua paragem não só impacta a produção de alumínio, mas também a economia local, dado o grande número de trabalhadores que depende diretamente da fábrica. A questão das tarifas de eletricidade é um tema recorrente em Moçambique, onde a dependência de fontes hídricas, como a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, torna o fornecimento de energia vulnerável a condições climáticas adversas, como a seca.

A estrutura do sector energético em Moçambique tem sido uma preocupação contínua, com desafios em termos de capacidade de geração e distribuição de eletricidade. A situação na Mozal é um reflexo das dificuldades enfrentadas por várias indústrias no país, que lutam para garantir custos operacionais viáveis em um ambiente de tarifas energéticas cada vez mais elevadas.

Impacto

Os custos excepcionais de €104 milhões registados pela South32 terão um impacto significativo nas suas operações e finanças. A paragem da Mozal pode levar a uma redução na produção de alumínio a nível global, uma vez que a fábrica é um dos principais fornecedores de alumínio na região. A diminuição na produção e venda de alumínio pode influenciar os preços do mercado, uma vez que a oferta pode não atender à demanda.

Além disso, a suspensão das operações afeta diretamente a economia local, com a perda de empregos e a diminuição na renda das famílias que dependem da Mozal. A falta de produção também pode ter um efeito dominó em outras indústrias que dependem do alumínio, resultando em um impacto mais amplo na economia de Moçambique.

O que se segue

A South32 está a avaliar várias alternativas para o futuro da Mozal, incluindo a possibilidade de retomar a produção se as condições energéticas melhorarem. A empresa reconhece a necessidade de encontrar soluções viáveis para o fornecimento de energia, uma vez que a tarifa de eletricidade continua a ser um fator crítico para a operação da fábrica.

Simultaneamente, a Corporação de Desenvolvimento Industrial da África do Sul está a explorar a possibilidade de adquirir a participação maioritária da South32 na Mozal. Esta movimentação pode trazer novas perspectivas para a fábrica, especialmente se resultar em uma abordagem mais sustentável para o fornecimento de energia.

A situação continuará a ser monitorada, e a South32 e os seus parceiros deverão trabalhar em conjunto para encontrar soluções que garantam a continuidade das operações e a sustentabilidade da Mozal a longo prazo.

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