António do Rosário, ex-diretor do Sistema Integrado de Segurança do Estado (SISE) de Moçambique, falou abertamente sobre a sua condenação e a perseguição que afirma ter sofrido por parte do governo de Filipe Nyusi. Em uma entrevista ao Canal de Moçambique, ele defende a sua inocência e critica a forma como o poder orquestrou um processo político para silenciá-lo.

Acusações e Legitimidade
Condenado a 11 anos de prisão condicional em um caso de dívidas ocultas de 2,2 mil milhões de dólares, Rosário argumenta que sua punição se deve à sua investigação sobre corrupção que ameaçava interesses estabelecidos. Ele descreve sua queda no SISE como resultado de sua luta contra redes de corrupção dentro do Estado.

O Grupo de WhatsApp
Um dos elementos centrais do caso contra ele foi a criação de um grupo de WhatsApp com colegas. Rosário defende que a verdadeira questão não estava nesse grupo, mas sim no fato de abordar assuntos sensíveis que envolveram segurança nacional. Ele acredita que sua independência e coragem foram os principais fatores que levaram à sua perseguição.
Críticas a Filipe Nyusi
Em um dos momentos mais críticos da entrevista, Rosário questionou a independência do Presidente Nyusi, comparando-o a seus antecessores e levantando questões sobre a legitimidade do seu governo. Ele também se referiu a uma carta que escreveu sobre alegações de fraude eleitoral, intensificando as críticas à forma como as eleições têm sido conduzidas em Moçambique.
Fragilidade do Estado
Rosário discute a fragilidade institucional de Moçambique, destacando como interesses externos exploram essas vulnerabilidades. Ele critica a gestão dos recursos do Estado, especialmente nas áreas de educação e saúde, e sugere que o sistema judicial foi manipulado para garantir sua condenação.
Revelações Surpreendentes
Durante a entrevista, Rosário fez revelações sobre interações entre Filipe Nyusi e Manuel Chang, indicando tensões dentro do governo relacionadas ao financiamento da defesa e segurança. Essas declarações ressaltam a complexidade e as intrigas políticas que cercam o atual governo moçambicano.





